Pepino em conserva
quarta-feira março 26th 2008, 23:59

O picles do Mc Donald’s não é o melhor do mundo e todos sabemos disso.
Resolvi (num momento de devaneios gastrônomicos) que queria fazer uma conservinha simples de pepino!
Até então o mais proximo que eu havia chegado, de preparar um pickles, foi uma receita de relish preparada na faculdade, relish eh um tipo de pickles feito com vegetais ( e isso o difere dos chutneys) e outros condimentos de forma, dar origem á um “tempero” usado em uma infinidade de pratos, e mais comumente como guarnição de carnes ou recheios de hamburgueres.
Pois bem. Terminada a minha jornada por livros, internet e muitas perguntas aos chefes que conheço, cheguei a uma “receita” .
Comprei pepinos japoneses, lavei, cortei em pedaços de aproximadamente 6~7 cm. Pedi pra minha vó um pote de vidro com tampa, tipo maionese helman’s da vida, e dei uma “esterelizada” basicona com agua fervente. arrumei os pepinos bonitinho dentro do pote e joguei a mistura que os conservaria: agua, vinagre, pimenta dedo-de-moça, açucar e sal.
Numa panela, coloquei partes iguais de agua e vinagre branco, (150 ml +- de cada) e 40grs de sal, 100 de açucar e uma pimenta fatiada. Quando levantou fervura eu joguei no pote com os pepinos.
Deixei guardado num lugar “fresco” da casa, dentro de um saco de lixo pra não pegar luminosidade.
Daqui um mês eu escrevo outro post, contando se os pepinos ficaram otimos, ou eu abri o pote e joguei tudo fora…
nº4 – A melhor manteiga
sábado março 15th 2008, 1:15

Hoje em dia a manteiga ocupa um lugar tão natural em nossa mesa, que quase acreditamos que ela existe à seculos. Na realidade só se ouve falar na boa manteiga há menos de 100 anos, pelo menos no que diz respeito ás cozinhas familiares. Nas cozinhas da corte já havia sido adotada desde o século XVI. Parecia que j´pa existia a milenios mas era um produto raro e de dificil conservação.
Em Charentes foi um inseto que preparou o caminho pra manteiga: a phyloxera. Esta danificou as vinhas de tal forma que muitos dos vinicultores nao tiveram outra alternativa senão dedicar-se a industria leiteira. Em 1888 foi fundada a primeira cooperativa e com a introdução da pasteurização, tal como a criação especifica de vacas leiteiras, o treco floresceu. O clima umido e temperado do Atlantico tambem ajudou, uma vez que era muito propício para o desenvolvimento de campos de pastagens viçosas.
Em Échiré, uma aldeia a norte de Niort cujas pastagens estão circundadas pelo Sèvre Niortaise, soube-se tirar partido das vantagens oferecidas pela Natureza. Uma cooperativa criada em 1894 zela pelo bem estar da comunidade e das suas vacas. Todo dia o leite eh recolhido em caminhões proprios, pra que seja trabalhado o mais fersco possivel.
Após a desnatação no centrifugador adiciona-se às natas 1-2% de fermento lácteo e deixa-se curar biologicamente entre 16-18 horas á 14ºC. depois a manteiga continua sendo batida na grande e resistende batedeira de madeira de teca. Bater permanentemente desfaz os grumos de minusculas bolinhas de gordura que se liberta formando grãos cada vez maiores . Quando atingem o tamanho de ervilhas extrai-se o soro da manteiga ja quase praticamente sem gordura. Os restos do soro da manteiga são retirados da batedeira com agua de fonte para que não desenvolvam nenhum sabor de ranço.
De seguida amassa-se até que os grãos d emanteiga formem uma massa homogenea com 16% de umidade. A fresca manteida Échiré pronta embrulhada em papel aluminio dourado e dentro de sua cestinha de aparas, tem uma consistencia perfeita e seu aroma delicado de noz supera seus numerosos concorrentes de Poitou-Charentes, da Normandia e de toda e qualquer localidade do mundo.
Jambú
quarta-feira março 12th 2008, 1:32

Esta semana fui apresentado a uma nova hortaliça a qual eu desconhecia.
E que ignorância a minha, como pude ter vivido esses 20 anos sem comer jambú?
O sabor é um tanto quanto intrigante, lembra um agrião ( e no Pará é conhecida como agrião do Pará mesmo), com uma ardencia bem sutil, o grande barato da planta é no entanto uma propriedade sensorial peculiar que causa nas papilas gustativas, ao ser mastigada acontece uma espécie de anestesia local bem leve, a sensação é incrivel, inesperada.Essa propriedade “anestesica” se perde quando a planta é exposta à cocção. Pesquisando a respeito do jambú, fiquei sabendo de coisas um tanto quanto curiosas a respeito. A planta é nativa da região amazonica, produzida e consumida em maior escala pelos paraenses, em pratos como tacacá e em outras preparações típicas da região.Uns tempos atras, a Natura, com aquela campanha publicitaria de “desenvolvimento sustentável” foi até o Pará e ajudou por um tempo as comunidades locais enquanto elas “davam as dicas de como cultivar a espécie. Na posse das informações, eles simplesmente os abandonaram. Investiram em pequenos produtores do interior de São Paulo pra fazerem o cultivo da planta… E então lançaram a linha de cosmético que usa como base um óleo retirado do jambu (o spilanthol).
O pior é que existem processos de pedido de Patente do jambú na Inglaterra, Japão e USA.
Enfim, comam mais jambu!
E quem tiver sementes pode me mandar, que com essas chuvas de São Paulo o clima está otimo pro cultivo dessa hortaliça que eu tanto amo.
Star City – Jantar nos anos 50
terça-feira março 11th 2008, 1:17
O lugar chama Star City, fica na Rua Frederico Abranches, 453 - Sta. Cecilia. A palavra pra descrever o lugar, talvez pudesse ser “antigo”, lá a maioria das coisas são realmente vintage rococó e parecem ter vindo tudo da casa de sua avó. Os pratos possuem a borda pintada, no melhor estilo anos 50, os vasinhos com flores artificiais desbotadas e empoeiradas, nos fazem sentir como se o restaurante houvesse sido fechado após a segunda guerra mundial, e reaberto hoje, especialmente pra irmos fazer uma refeição lá. Os bancos de couro desgastado vermelho aparecem tímidos nos cantos dos restaurantes, fazendo companhia às toalhas bege-brancas que cobrem as mesas.
Deu pra entender um pouco do visual e ambientação do local, agora o grande show fica por conta do cardápio, que aliás merecia um capítulo a parte. Mas antes disso, preciso contar como eu vim a conhecer tão peculiar lugar.
Através de um amigo, conheci um jornalista desses que são muito bons em seu trabalho, e sabem absolutamente tudo a respeito de qualquer coisa que você possa imaginar. Eu como bom admirador de pessoas inteligentes não pude evitar que houvesse uma boa amizade. Pois bem, surgiu uma oportunidade de trabalho com ele, e fomos acertar os ponteiros sobre como seria o trabalho. Foi aí que conheci o Star City, meu amigo escolheu conversar lá justamente por ser um lugar vazio e silencioso, perfeito pra conversas de mafiosos e afins. Antes de irmos pra lá, ainda fui advertido sobre onde estavamos indo, uma espécie de “não se assuste com a decoração”
Sobre o cardápio, aí sim vem a parte boa [até porque, até o momento única coisa que fiz foi fazer o leitor perder totalmente o interesse de conhecer um lugar com tais características], só posso dizer que é incrível! Nas paredes pode-se notar diversas premiações [a mais recente do ano de 2007] considerando o restaurante, um dos melhores no quesito “feijoada”.
A feijoada embora incrível, é apenas uma das pérolas gastronômicas literalmente escondidas pela cidade, alguns pratos antigos e considerados demodé ainda constam no cardápio, como chateaubriand, tournedos, fillet à Le Cordon Bleu entre outros. Porém o hors concours da casa, é na minha opinião a língua ao molho madeira. Mesmo despertando preconceito em alguns, a língua é uma carne extremamente saborosa, macia, e muito suculenta. Servida finamente fatiada acompanhada de molho madeira e um purêzinho de batata bem rústico o prato sai a R$ 36,00 e serve duas pessoas adultas famintas.
ThinkFood – e as paredes
domingo março 09th 2008, 16:51
Parte dos esforços de iniciar e manter um blog está na humildade de aceitar ser novo neste ambiente. Dar a cara a tapa, e ir acertando aos pouquinhos.
Esse blog surge, na necessidade de expandir os conhecimentos em Gastronomia das pessoas, sejam elas estudantes de Gastronomia, ou pessoas comuns que gostam de cozinhar e apenas querem melhorar a forma como estão se alimentando. Não do ponto de vista nutricional é claro. Digo na forma plena da Gastronomia, transformando sabores, sem é claro deixar de exaltar os mais simples detalhes de cada ingrediente.
Inicio o blog assim, eu, ele, e as paredes.
Um cômodo vazio, uma cozinha vazia, que aos poucos vou enchendo, deixando em cada cantinho um pedacinho de mim. Em cada receita aqui postada, um pouco de mim estará lá.
Todos são bem vindos! Na minha cozinha, além de paredes, também existem janelas e portas. O tímido pode apenas dar uma espiadela na janela. O extrovertido pode, e deve, sentar-se a mesa comigo.
Hospitalidade, não vamos confundir com hostilidade. Cozinhar é pensar nos outros, é ser hospitaleiro.
Se você cozinha pra se mostrar melhor…. isso não é ser cozinheiro!
Fico por aqui, deixando em aberto o convite que fiz, e refaço. Pra quem quiser sentar-se à mesa comigo!