Fougasse Provençale
sexta-feira maio 28th 2010, 19:17

Aqui está outro pão “parente da pizza”.
A fougasse é um tipo de pão genericamente conhecido na Europa com nomes parecidos (assim como a focaccia italiana), sua origem remonta à Antiguidade Clássica. Este pão pertence essencialmente à costa norte do Mediterrâneo, compreendendo principalmente sul da França e Italia.
Na roma antiga panis focacius significava um pão chato, cozido nas cinzas, ou diretamente no centro do fogo, (foco significa coração, miolo, centro) daí surgiu o termo focacia, focaccia em italiano moderno, fougasse no sul da França e fouasse no norte da França onde se tornou um ítem de luxo na dieta até o final da Idade Média.
A fouasse poderia ser como em Amiens, um pão branco simples, ou poderia ser enriquecida como na Provence (com bacon e tomilho, originalmente modelada em formatos orgânicos) esse “enriquecimento” fez da fougasse um pão tão diferente do pão comum, que pelo menos em um lugar escapou de ser taxado pelo imposto de pães.

A focaccia/fougasse/fouasse durante muitos séculos esteve associada ao Natal e a Epifania. No contexto italiano uma coisa seria óbvia; que a adição de coberturas para a focaccia logo se tornaria uma espécie de pizza. No entanto a focaccia italiana se ramificou tanto, e em várias direções, que doces e salgadas surgiram novas leituras como a fitascetta (pão redondo ou rosca, coberta com cebolas) a Lombardia, a toscana stiacciata (espécie de pão doce achatado, coberto com açúcar de confeiteiro, servido largamente no carnaval) e a schiacciata (tipo de focaccia coberta com uvas, também pode ser apresentada como torta) da Emília.
A que apresento é uma clássica fougasse provençale (portanto da região da Provence) coberta com bacon frito e tomilho.

Fougasse Provençale
- 500 g de farinha de trigo
- 10 g de fermento biológico fresco (ou 3 gr do seco)
- 60 g de manteiga integral sem sal
- 275 ml de água mineral
- 7 g de sal
- 150 g de bacon em cubos pequenos
- tomilho q.b
- azeite
Proceda utilizando o método direto. Disponha a massa em uma tigela levemente untada com azeite e coberta com pano por cerca de 1 hora. Divida a massa em duas partes iguais, abra com as mãos em formato irregular e com auxílio de uma faca afiada, faça cortes pela massa, dando desenho de uma folha. Transfira a massa para uma assadeira untada com azeite, e deixe fermentar por cerca de 1 e 1/2 hora. Pincele a superfície da fougasse com azeite, e disponha os cubinhos de bacon fritos levemente dourados e o tomilho. Asse em forno alto por cerca de 20 minutos.
Espero que gostem!
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Bolo Zebra
terça-feira maio 25th 2010, 6:24

Conhecido por aí como zebra cake, esse bolo (pelo que soube) é bastante comum no leste europeu, e anda fazendo sucesso nos blogs gringos, quase figurando ao lado do bendito fucking Red velvet cake.
É na verdade um bolo simples, e o efeito decorativo de motivos equídeos se deve apenas à alternação entre colheradas de massa branca e da massa escurecida por cacau em pó.
Lembrei dos bolos que minha avó materna faz, enfim, de volta ao assunto da “comida reconfortante” que nos faz sentir bem, tendo lembranças de alguma boa fase de nossas vidas.

Elucubrações a parte, gostaria de registrar aqui, que acho extremamente chata a prática de “fazer média” e da “vida corporativa” na sociedade contemporânea. Sem mais blá blá blá… segue a receita.
Zebra Cake
- 4 ovos grandes em temperatura ambiente
- 250 g de açúcar refinado
- 250 ml de óleo de milho
- 250 ml de leite integral
- 300 g de farinha de trigo
- 1 colher de café de extrato de baunilha
- 1 colher de chá de fermento químico
- 2 colheres de sopa de cacau em pó
Bata os ovos até que espumem, então junte lentamente o açúcar, por fim acrescente os líquidos (leite, baunilha e óleo). Retire da batedeira e com auxílio de um fouet agregue os secos (farinha e fermento peneirados) até que tudo esteja bem amalgamado. Não bata demais! Divida a massa em duas partes iguais e adicione as 2 colheres de sopa de cacau em pó à uma delas.

Jogue delicadamente 3 colheres da massa branca ao centro da assadeira redonda ( ø 23 cm) previamente coberta com papel manteiga. No centro da massa branca, coloque 3 colheres da massa de cacau, e assim alternadamente até que tenham acabado ambas.
Uma dica importante a ser seguida é não parar de colocar as colheradas em hipótese alguma, não bater a assadeira para a massa “assentar” não inclinar, não mexer, não alisar e nem fazer nada que comprometa a formação natural das listras!
Asse em forno pré aquecido a 180 ºC por aproximadamente 40 minutos, lembrando que o forno não deve ser aberto nos primeiros 20 minutos de cozimento nem por ordem judicial!
Espero que gostem!
Peugeot: Moedor de pimenta
sábado maio 22nd 2010, 3:39

Não, não estou falando do carro!
Me refiro à um moedor de pimenta! Sim, um simples moedor de pimenta! Simples pero no mucho!
Existem muitos no mercado, todos sabemos. Também sabemos que não funcionam bem, ou não são tão duráveis quanto deveriam, ou algo do tipo.
Meu sonho de consumo durante longo tempo, foi ter um desses, um verdadeiro moinho de pimenta Peugeot, fabricado na França com a mesma tradição de sempre. Pensando que junto com o moinho que está nas minhas mãos, muitos grandes chefes franceses estão usando modelos exatamente iguais em suas cozinhas. Fazendo, cada um a seu modo, a vanguarda da alta Gastronomia.

O seu corpo é feito com madeira tratada, ao que se sabe, eucalipto. O da foto (modelo paris preto laqueado) recebeu uma pintura preto-piano impecável. Este modelo possui seis níveis pré definidos de moagem da pimenta, gradualmente do mais fino ao mais grosso, que pode ser conferido na imagem abaixo.

As ferragens são de metal resistente, bastante robusto, passa segurança e durabilidade. Algumas partes plásticas complementam a montagem da peça.
Para mim, o prazer de usar um desses, é comparável ao de fazer sorvete com favas de baunilha tahitiense numa KitchenAid.
Pode ser encontrado nessas grandes lojas caríssimas que vendem coisas de Gastronomia. O valor varia de $ 280 – 430.
Resenha: Cortes e Facas
terça-feira maio 18th 2010, 16:10

A algum tempo atrás, a Publifolha me enviou um livro para apreciação. O livro Facas e cortes, pode não ser tanta novidade pra quem já é macaco velho de cozinha, mas para os jovens chefes estudantes de Gastronomia, ou pra qualquer pessoa que esteja se aventurando com mais “fervor” pelos caminhos tortuosos, porém divertidíssimos da Gastronomia o livro cai como uma luva!
São 224 páginas divididas em duas partes, a primeira aborda um pouco de história da cutelaria e sua importância para o desenvolvimento da gastronomia ao redor do mundo, anatomia das facas, tipos de faca, lâminas e cabos. Ensina também como escolher uma faca, bem como outros utensílios cortantes, como armazenar e afiar.

A segunda parte, dividida em subtópicos, vai direto ao assunto, e com riqueza de ilustrações fotográficas ensina como se deve cortar os diversos tipos de alimentos, ( legumes, frutos do mar, carnes e aves, massas e frutas) conta também com glossário, e manual de segurança e primeiros socorros.

Eu particularmente avalio o livro como muito bom, no que se refere à “atingir a meta que se propõe”. É um livro que busca ensinar as formas profissionais de se manipular alimentos corretamente no aspecto de cortes, e atinge essa meta com precisão.
Dentre seus autores, figuram o badalado chef americano Charlie Trotter, apresentador de programas culinários e restauranteur que figura entre os melhores do mundo.
O livro pode ser encontrado em diversas livrarias, e seu preço é de aproximadamente $45.
Cookies de chocolate
sexta-feira maio 14th 2010, 3:41

Quinta-feira é o dia de desejar fortemente que a semana termine logo!
Depois de voltar dos Correios, onde fui despachar os “mimos” aos vencedores do sorteio dos temperos NoMU; fiz esses cookies pra me entreter enquanto o final de semana não chega!
Existem muitas receitas de cookies por ai, só com chips de chocolate, inteiro de chocolate, com castanhas e afins blá, blá, blá…
As vezes testo algumas novas receitas. Essa porém não é nova! É uma receita de uma palestra da Casa Gourmet, que assisti com a grande Lara em 2007, minha dupla eterna da faculdade de Gastronomia. Nunca havia feito, mas sabia que era uma delícia pois me lembro de quando provei!
É… tem coisas que não dá pra esquecer!
Cookies Inesquecíveis de Chocolate
[xícara padrão 240 ml]
- 200 g de chocolate meio amargo derretido
- 1 xicara de farinha de trigo
- 1/4 de xícara de cacau em pó
- 1 colher de café cheia de bicarbonato de sódio
- 1/2 colher de café de sal
- 1/2 xícara de açúcar mascavo
- 1/4 de xícara de açúcar refinado
- 80 g de manteiga amolecida
- 1 ovo
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- 150 g de gotas/pastilhas de chocolate
O preparo consiste em duas misturas distintas, que devem ser agregadas juntamente com o chocolate previamente derretido.
A manteiga deve ser batida na batedeira juntamente com os açúcares mascavo e refinado, após o creme se tornar claro e macio, adicione o ovo. À essa mistura adicione o chocolate meio amargo derretido, e junte os outros secos previamente peneirados (farinha de trigo, sal, bicarbonato e cacau). Junte o extrato de baunilha e as gotas/pastilhas de chocolate. Leve a massa à geladeira por 30 minutos.
Retire do refrigerador e com auxílio de uma colher de sorvete faça bolas do tamanho de bolinha de ping-pong, disponha em uma assadeira forrada com papel manteiga, faça uma leve pressão achatanto muito levemente as bolinhas da massa.
Asse em forno baixo (180 C) por cerca de 20 minutos. Resfrie em grade e reserve em pote hermeticamente fechado. A receita rende 20 cookies grandes.
Extrato de Baunilha
segunda-feira maio 10th 2010, 16:54

Muito do que consumimos diariamente com sabor de baunilha, não é efetivamente feito de baunilha propriamente dita. Não é nenhuma novidade que na industria alimentícia usa-se muitos aditivos, corantes e saborizadores para se conseguir certos sabores/cores/texturas.
A baunilha é a rainha da Confeitaria e de grande parte dos doces. Sua produção em escala industrial seria bastante inviável economicamente, por isso, mesmo em detrimento da qualidade optou-se pela utilização de essência de baunilha artificial. Mesmo em casa, a maioria das pessoas, acaba utilizando essências de baunilha, seja por falta de abastecimento de favas, seja por outros motivos econômicos.
Quem agüentaria gastar $ 11 em fava a cada bolo feito???
No final do século XIX, o princípio ativo da baunilha foi identificado e produzido artificialmente em laboratório, com isso, a extração natural desde princípio ativo foi substituída em muitos casos pela produção artificial. No entanto, sendo o produto natural o resultado de uma complexa combinação de muitas substâncias, este tem uma qualidade nitidamente superior e, por esta razão, a orquídea da baunilha continua a ser cultivada em alguns países tropicais. A maior parte da produção comercializada vem de Madagascar e do arquipélago de Comores. Na falta dos polinizadores naturais (abelhas existentes no México, região de onde provem a baunilha) a baunilha precisa ser polinizada manualmente.
Para se obter a vanilina, o princípio ativo da baunilha, suas vagens precisam passar por um moroso processo de produção artesanal, onde devem amadurecer por muitos meses antes de ser colhida. O processo propriamente dito para ressaltar o seu perfume envolve muitas manipulações: calor inicial, secagem ao sol, cura na sobra, seleção e empacotamento.
Uma grande dificuldade no seu cultivo destinado à obtenção da vanilina é justamente a necessidade de se fazer a polinização manual, principalmente por causa da curta duração de suas flores fazendo com que esta operação haja que ser feita dentro de um período muito curto, até mesmo de horas.
O progresso da química sintética permitiu que a partir do eugenol (componente mais abundante no óleo de cravo) se chegasse a vanilina, componente químico que confere o aroma de baunilha, o que fez baixar significativamente o preço do produto.
A vanilina passou a ser sintetizada por outros produtos químicos mais baratos, até que passou a ser sintetizada a partir da lignina, resíduo abundante da fabricação de celulose. Ou seja, atualmente a essência de baunilha que consumimos é obtida praticamente de graça pelas industrias de celulose, como um subproduto.
Ainda dá coragem de usar essência?
Ainda existe o que chamamos de extrato, certos chefs dizem ser o mesmo que essência, outros defendem até a morte que são coisas diferentes. Entende-se por extrato, um tipo de produto obtido a partir da maceração da fava em meio alcóolico ( no mínimo 35%).
Existe um “extrato” falso, feito a partir da vanilina sintética, assim como a “essência”
A “essência” de baunilha deveria ser obtida diretamente da planta in natura, assim como as essências da perfumaria, e nesse caso o “extrato” seria correspondente ao “extrato de perfume” [parfumée] na perfumaria… onde a diluição da essência no veículo é de 25 – 40%.
Uma alternativa “mais em conta” é fazer seu próprio extrato de baunilha.
Em uma garrafa de vidro escura (pode ser de cerveja ou vinho tinto) coloque 500 ml de álcool de cereais ou vodka de boa qualidade. Junte ao àlcool, as cascas da fava de baunilha que você for usando ao longo do tempo. Quanto mais cascas tiverem, mais forte será seu extrato. O ideal seria deixar a mistura macerar por no mínimo 30 dias, em local fresco, e sem movimentação.
NoMU – Sorteio

Como havia dito no post anterior, esta semana sortearei 3 kits de amostras dos rubs da NoMU. Cada kit contém 6 sachêts de rubs, são eles: barbeque, seafood, spanish, poltry, oriental e marrocan.
Para concorrer, basta deixar um comentário neste post, me contando o quê pretende cozinhar, usando os rubs. Desta vez será sorteio, embora eu prefira dar mimos para os leitores levando em conta a meritocracia.
Quarta feira ao meio dia devo encerrar os comentários. O sorteio será feito pelo número do comentário. Cada participante deve concorrer apenas com um comentário, deixando nome e e-mail. O produto será enviado por correio para qualquer parte do território nacional.
Que vençam os (3) mais sortudos!
E fiquem esperto, inclusive no Twitter @blogthinkfood pois mais sorteios acontecerão em breve!
Os vencedores: UPDATE 12/05/2010
De acordo com minhas contas, foram 17 comentários válidos (únicos). Hoje sorteei os kits através deste aplicativo, e os vendedores são:

Comentários 4, 6 e 12; respectivamente:
Nickolas
Emília
Magda
Aos vencedores, peço que enviem seus respectivos dados postais, para que sejam enviados os kits. Parabéns!
Baunilha – sinônimo de …
sábado maio 08th 2010, 5:55

“Estudos recentes de americanos querem comprovar que a baunilha natural possui substancias capazes de viciar.”
- É, eu percebi!
Já a algum tempo a Latinex havia me fornecido algumas favas de baunilha espetaculares para apreciação. Foram cinco tipos, além da famosíssima e tão cobiçada Vanilla Paste da marca sulafricana NoMU.
A baunilha
A baunilha é uma orquídea (pertence à família da orquidáceas) e é dela que conseguimos a fava de baunilha para aromatizar, geralmente produtos da confeitaria.
Das mais de 100 espécies apenas algumas se prestam para o consumo como alimento. São elas: Vanilla Planifolia, V. pompona, V. thaitiensis e V. odorata.
Dessas espécies, surgiram algumas nomenclaturas comerciais para a fava de baunilha in natura:
- Bourbon: é a baunilha da espécie V. planifolia cultivada nos arredores do Oceano Índico (Reunião, Madagascar, Comores). Bourbon é o antigo nome da Ilha Reunião (ainda sobre administração francesa), e foi lá onde primeiro se utilizou o método de polinização artificial.
- Mexicana [ Mexican vanilla]: feita com as unidades nativas da V. planifolia, é produzida em quantidade bastante limitada e tem o apelo de ser a baunilha original.
- Taitiana [ Tahitian]: é o nome da baunilha produzida na Polinésia Francesa (destaca-se o Tahiti), análises genéticas mostram que esta espécie V. tahitiensis é possivelmente uma cultivar de um híbrido, cruzamento de V. planifolia e V. odorata.
- West Indian: é a nomenclatura que designa as baunilhas da espécie V. pompona cultivadas no Caribe, Américas Central e do Sul.

Tlixochtl
A história dessa orquídea começou a ser registrada na Europa a partir da descoberta da América, mas já fazia parte do dia a dia das civilizações pré-colombianas.
Ela é, na verdade, uma das plantas mais utilizadas desde os tempos imemoriais pelas civilizações Maia e Azteza. Era especialmente utilizada pelos astecas mexicanos para dar sabor e aroma a bebidas feitas a partir do cacau, uma outra de suas descobertas.
Durante a conquista do México, quando Cortez visitou a corte de Montezuma, em 1520, ele tomou conhecimento de que o imperador asteca só tomava uma bebida chamada “chocolatl” que lhe era servida em taças de ouro e colheres de ouro ou tartaruga. Dizia-se também que ele tomava esta bebida antes de “visitar” suas esposas. O sabor do chocolatl era acentuado pela baunilha que os astecas chamavam de “tlilxoxhitl” que literalmente, quer dizer flor negra, mais apropriadamente aplicável ao fruto (vagem madura).
Os espanhóis nessa época, deram ao fruto o nome de “vainilla” diminutivo de vaina (bainha) que por sua vez deriva do latin vagina. Possivelmente o termo tenha sido proposital uma vez que quiseram fazer referência à profunda cavidade estigmática do gênero, bem semelhante à genitália feminina.

Amostras:
A polinização da baunilha acontece de forma natural, sendo efetuada por uma espécie de abelhas melipones exclusivas do México. Essas abelhas acompanharam o cultivo da baunilha em diversas regiões para onde foram introduzidas as cultivares, porém sempre sem sucesso. Sem as abelhas, a polinização simplesmente não acontecia.
Foi em 1841 que na Ilha Bourbon, um escravo de apenas 12 anos, realizou pela primeira vez um simples e eficiente método de polinização artificial que vêm sendo usando até atualmente.
A polinização consistia em, com auxílio de uma tira fina de bambu, elevar a membrana que separa as anteras e os estigmas (orgãos sexuais da flor da baunilha, que é hermafrodita), e então usando o dedo pode-se transferir o pólen da antera para o estigma.
A flor da baunilha costuma durar um dia apenas ou não raramente apenas algumas horas; portanto os agricultores devem inspecionar a plantação diversas vezes por dia a procura de flores abertas, uma tarefa bastante intensiva.
Madagascar

Nesse contexto todo, temos a amostra vinda de Madagascar região vizinha à antiga Ilha de Bourbon, hoje Reunião. Madagascar é um dos maiores produtores de baunilha da atualidade, abocanhando cerca de 60% do mercado, com uma produção de 1000 mt. Normalmente são produzidas duas qualidades; gourmet (qualidade superior e boa aparência) e industrial (são classificadas assim, as baunilhas que por algum motivo não puderam ser estabelecidas como gourmet).
Espécie: V. planifolia
Peso: 2 gr
Características: A menor das baunilhas recebidas, pesa apenas 2 gr, sua cor é negra, aroma rico de baunilha e aparentemente a quantidade de polpa é pequena devido ao peso, e espessura da fava.
Produção: Gourmet e Industrial.
Uganda

Desde a década de 60 Uganda surgiu como uma notável importadora mundial de baunilha da espécie V. planifolia. Com uma produção de mais de 200 mt a baunilha de Uganda estabeleceu-se muito bem no mercado.
Espécie: V. planifolia
Peso: 3 gr
Características: Fava bastante longilínea, pouca espessura, aroma característico e bastante marcante perfumado com notas terrosas e ameixa.
Produção: Gourmet e Industrial.
México

A baunilha originária da pátria mãe. Cortesia nos dada pelos astecas. A baunilha mexicana tem uma produção pequena, devido aos elevados custos. A baunilha mexicana tem um publico fiel ao redor do mundo, composto pelos consumidores finais, e alguns chefes que não abrem mão de usar a iguaria produzida nesse país.
Espécie: V. planifolia nativa
Peso: 4 gr
Características: Coloração negra com sulcos amarronzados, espessura média, aroma intenso, porém difere dos outros tipos por dar a impressão de ser “mais salgado do que doce.”
Produção: Gourmet e Industrial, ambas muito limitadas.
Tahiti

A fava do Tahiti é sem duvida nenhuma a menina dos olhos de muitos chefes confeiteiros ao redor do mundo. É atualmente a baunilha mais cara e exclusiva do mercado, muitos chefes não utilizam outra baunilha senão as taitianas, considerando seu perfil único e insuperável. Sua produção é inferior à 50 mt, e todas as favas são vendidas como gourmet.
Espécie: V. planifolia e V. odorata, também chamada de V. tahitiensis
Peso: nada menos do que 9 gr
Características: notavelmente seu tamanho e espessura. Polpa bastante úmida, aroma incrivelmente intenso. Coloração externa marrom muito escuro.
Produção: apenas Gourmet
Papua Nova Guiné

É a mais nova baunilha no mercado, e fez tremendos avanços em um período muito curto de tempo. De sabor único e perfil aromático bastante perfumado, além de ter um preço bastante competitivo, faz com que essa baunilha tenha um futuro promissor. Sua produção atual gira em torno dos 250 mt.
Espécie: V. planifolia (também produzem V. tahitiensis)
Peso: 4 gr
Características: Uma das favas mais bonitas, uniformes, de cor negra intensa e brilhante, sem duvida seria a melhor opção pra decorar pratos. O aroma de fato é bastante intenso, como todas amostras que recebi, seu acondicionamento era em vácuo, o que de certa forma ajuda a preservar os aromas mais voláteis.
Produção: Gourmet e Industrial.
NoMU Vanilla Paste
A pasta de baunilha com sementes de baunilha da marca sulafricana NoMU. Simplesmente incrível, é como ter polpa de baunilha no armário pronta pra usar a qualquer momento, e o que é mais importante: de altíssima qualidade.

A textura lembra um gel, as sementes são graúdas e crocantes. A coloração é bonita, o aroma é intenso, sabor neutro portanto pode ser utilizada em preparações doces ou salgadas. Cerca de cinco “apertadas” na válvula são capazes de aromatizar 1 litro de líquido.
A embalagem com válvula (tipo pump) garante um armazenamento prático e higiênico. A baunilha pode ser encontrada em empórios gastronômicos “mais sofisticados” custa entre $ 70 à $ 100.
Espero que gostem!
E pra animar o povo. Segunda feira, farei um post breve, pra sortear três kits de temperos da linha RUB NoMU.
O doce de mil nomes…
quarta-feira maio 05th 2010, 17:14

Talvez seja um dos mais clássicos doces de semolina. O rist lauz (como eu o conhecia inicialmente) é consumido em diversos países do Oriente médio, motivo pelos quais tem diversos nomes.
No Egito é conhecido por babousa, Na Turquia e Grécia chama-se revani, ainda em outros países pode receber os nomes de namoura e hareesa.
Em livros quase todas as referências que encontrei se referiam ao doce como babousa, o quê leva a crer que esse possa ser o nome primário do doce, que em outras regiões recebeu outras nomenclaturas posteriormente.
A babousa é uma espécie de bolo, feito quase exclusivamente de semolina e decorado com uma amêndoa pelada. Sua textura é pesada e seca; por isso o doce recebe uma calda aromatizada após o cozimento, que o tornará macio e úmido.
A calda é, geralmente aromatizada com água de flor de laranjeira, água de rosas, ou ambas.
Os doces mediterrâneos são conhecidos por serem “muito doces” porém, fazendo uma calda com “atenção”, consegue-se minimizar essa sensação, além disso, especificamente as caldas para banhar doces mediterrâneos costumam levar suco de limão tão logo retira-se do fogo.
A sêmola por sua vez, tem papel importante no preparo de grande parte dos doces mediterrâneos, além do ma’amoul, diversos tipos de biscoitos também tem na sêmola sua principal matéria prima.
Obtida a partir de um tipo de trigo diferente do usado para a farinha de trigo “comum” que conhecemos(T. aestivum), a sêmola é obtida pela moagem do trigo durum (T. durum ). Largamente utilizada para a fabricação de pasta fresca entre outros usos, seja na industria alimentícia, seja diariamente nas casas do Oriente Médio e de todo o mundo.
Existem no mercado, dois tipos de semolina que se diferem unicamente pelo grau de moagem do endosperma, são elas a semolina fina, e a grossa.

A primeira mais utilizada para o preparo de massas e preparações onde quer se obter um resultado mais “fino”. A outra, semolina grossa, possui uma textura mais granulada, rústica, utilizada para doces ou outras preparações onde quer se obter resultados tidos “rústicos”.
No caso da basbousa, deve ser preparada com a semolina grossa; a semolina fina não se presta para essa preparação.
Semolina grossa – smeed (esq.) e semolina fina – ferkha (dir.).
Babousa
- 500 g de semolina grossa
- 250 g de açúcar refinado
- 120 ml de manteiga derretida
- 400 ml de leite integral
- 1 colher de café de fermento químico em pó
- cerca de 25-40 amêndoas sem pele
Misture a semolina com o açúcar, manteiga derretida e o leite. Com auxílio de uma colher de pau (sim, estão proibidas) misture sem bater até que tudo tenha se homogeneizado. Por fim misture delicadamente o fermento.
Disponha a mistura em uma assadeira (20 x 30 x 4) untada com margarida, deixe repousar por no mínimo 4 horas.
Com auxílio de uma faca afiada, divida a massa fazendo riscos superficiais em formato quadrado, disponha no centro de cada quadrado uma amêndoa pelada e asse em forno médio até que esteja com a superfície dourada.

Ao retirar do forno, reforce os cortes com uma faca, dividindo completamente os quadrados até o fundo. Pincele com toda a quantidade da calda aromatizada, e deixe repousar por mais uma hora, pra que o doce consiga absorver completamente.
Calda
- 1 xícaras de açúcar
- 2 xícara de água
- 1/4 de limão
- 1 colher de sopa cheia de água de flor de laranjeira, ou de rosas
Misturando o açúcar e a água, leve ao fogo alto até ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar até atingir ponto de fio. O suco de 1/4 de limão, bem como a água destilada de flor de laranjeira ou rosas, deve ser acrescentada à calda já com o fogo desligado.
Esta calda é utilizada para banhar/molhar diversos doces árabes.
Espero que gostem!
DEGUSTAR 2010 – Doceiros
sábado maio 01st 2010, 5:20

Mesa da Fleur de Sucre, uma das mais fotografadas.
Além do deleite proporcionado pelos banqueteiros no DEGUSTAR 2010, o show que os doceiros deram, merece um post e os devidos “parabéns” à parte.
O evento começou britanicamente às 20:00 horas, às 22:00 a parte do salão destinada aos doceiros (que até então estava fechada) foi aberta e as pessoas correram, pra abocanhar os primeiros macarons da noite.
Ópera Ganache

Rafael Barros, exímio chef pâtissier da Ópera Ganache, dentre outras habilidades, faz um dos melhores macarons que já comi em solo tupiniquim. Sazonalmente são concebidos novos sabores como os macarons de crème brûllée, vinho do porto, zabaione entre outros.
A textura agrada, o sabor também, mas ainda são relativamente mais doces que os vendidos na centenária maison francesa Ladurée.

Macarons cobertos com chocolate e pastilha de chocolate, macaron de chocolate e macarons de crème brûllée.

Bombon da Ópera Ganache: paredes finíssimas de chocolate, uma perdição de recheio.
Cupcakes Luana Davidsohn

A mesa de cupcakes da Luana Davidsohn foi um dos lugares onde mais tomei cutuveladas. Embora estivesse com uma das piores iluminações para fotografia, a ambientação causava a impressão de uma atmosfera mágica em torno dos lindos e delicados cupcakes. Sem duvida os melhores já vistos e degustados por aqui.

Flávio Federico Macarons
O chef Flávio Federico da Só Doces trouxe consigo para o evento, o quê considero (juntamente com os do Rafa Barros) os melhores macarons já provados até então. A textura estava incrívelmente sublime, beirando a perfeição. Me atenho apenas a parabenizá-lo humildemente e pedir para que preço do curso de macarons dado por ele, se torne um pouco mais em conta (atualmente cerca de $ 850).

Macarons de champagne, blueberry e caipirinha.

Macarons de gianduia, Oiapoque (chocolate branco com cupuaçu), Sex on the beach, e framboesa.
E Deus nos deu açúcar…

Claudia Eid Jordão e Sucra.

Conceição Bem Casados, depois de ter sua mesa de bem casados saqueada!

Danielle Andrade – Sweet Cake

Lamponi Macarons, a decoração estava boa, os macarrons…
Espero que tenham gostado!