Macarons certamente são os docinhos vedete da década. Fazê los pode não ser tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto dizem.
Confesso que desde que saí da faculdade, e dos restaurantes que trabalhei, nunca mais consegui fazer. Ainda mais nas tentativas feitas no forno de casa onde a temperatura é mais inexata que o clima de São Paulo no verão.
Os problemas (finalmente) acabaram depois que tomei vergonha da cara, tirei o escorpião do bolso, e fui fazer um curso no CEG. O chef Fabio Fiori foi quem ministrou as aulas, com a devida maestria de quem trabalhou por vários anos na Ladurée. Aliando a melhor estrutura, ao melhor professor, não poderia resumir o curso em outra palavra senão impecável!
A descrição do macaron feita pelo Chef Marcelo Bergamo está tão clara e objetiva que nem vou me atrever a tentar fazer alguma síntese semelhante:
“Os macarons são pequenos suspiros preparados com farinha de amêndoas. Apresentam uma casquinha crocante e interior macio. Frequentemente são recheados com ganache ou creme manteiga nas mais variadas cores e sabores: frutas vermelhas, chocolate, café, pistache, frutas exóticas e por aí vai.
Como a maioria das preparações clássicas, a origem do macaron não é clara e tem séculos de história. Apesar do nome francês, acredita-se que a receita original seja italiana, e tenha surgido em algum monastério, sem uma data precisa – o nome macaron derivaria do italiano maccherone e do veneziano macarone (massa). Somente durante a Renascença, Catarina de Médici, ao casar-se com Henrique, Duque de Orleans, leva essa iguaria à Corte Francesa. Já os franceses clamam que a receita já era confeccionada anteriormente nos monastérios de Cormery, França, desde o ano de 791. De uma forma ou de outra, no início os macarrons eram apenas “biscoitos” de amêndoas sem qualquer recheio.
Durante o séc. XVII os macarons foram comumente confeccionados pelas Carmelitas, que seguiram os princípios de Theresa D’Ávila: “Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne.” Durante a Revolução Francesa, duas freiras especializaram-se no preparo e comercialização dos macarons, tornaram-se famosas e passaram a ser chamadas de Souers Macaron (Irmãs Macaron).
Já no séc. XX, Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie Ladurée introduz um recheio cremoso aos macarons, que assumem assim a forma como o conhecemos atualmente.
Independentemente da origem, os macarons resistem até hoje e figuram nas melhores confeitarias do Brasil e do mundo.”
Os da foto, recheados com geléia de damascos e miski, fazem referência ao muhllabyieh (manjar árabe). Foram feitos com merengue francês que acredita se ser a maneira original, e com melhores resultados de textura.
Macaron
- 100 g de farinha de amêndoas
- 100 g de açúcar de confeiteiro (1)
- 80 g de clara de ovo
- 90 g de açúcar de confeiteiro (2)
recheio:
- 80 g de damascos secos demolhados
- 125 g de açúcar refinado
- 100 ml de água
- 1 pacotinho de miski
1. Para o macaron, triture a farinha de amêndoas e o açúcar (1) no processador para obter uma mistura bem fina. Peneire e reserve.
2. Bata as claras em neve (picos firmes), junte de uma só vez o açúcar de confeiteiro (2).
3. Misture metade da mistura de farinha de amêndoas (tant pour tant*) mexendo vigorosamente até que esteja homogênea, para só então agregar a outra metade mexendo até que se obtenha uma massa levemente elástica e brilhante.
4. Modele os macarons sobre tapete de silicone com o auxílio de um bico perlê 11 ou 12.
5. Deixe descansar por cerca de 45 minutos até que esteja seco ao toque.
6. Asse à 120ºC por 15-18 minutos.
7. Espere esfriar para retirar do tapete de silicone.
8. Para o recheio, misture os ingredientes (exceto o miski) em uma panela grossa, leve ao fogo alto até levantar fervura, então baixe o fogo e deixe cozinhar até que esteja em consistência de geléia.
9. Ainda morno, junte o miski amassado com um pouco de açúcar. Empregue no recheio dos macarons.
TANT POUR TANT* é a mistura que compreende proporções iguais de farinha de amêndoas e açúcar de confeiteiro (superfino), usada por profissionais da confeitaria para fazer massas de biscoito, cremes de amêndoas ou bases para petit-four.
13 Comentários so far
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Os famosos Macarons do Diego finalmente deram certo!
E, como todos os posts daqui, parecem fabulosos e deliciosos. Estou curiosíssimo para degustá-los!
Parabéns mais uma vez pelo sucesso dos Macarons!
Abraços!
Comentário por Caio 11.29.10 @ 23:35Finalmente uma receita de macarron, comprei farinha de amêndoas a umas 2 semanas na intenção de preprarar. Será mais uma daquelas receitas feitas somente em momentos e para pessoas especiais?
Comentário por Priscila 11.30.10 @ 14:54Oi Diego, os macarons ficaram tão branquinhos! Fiquei maravilhada.
Bjs
Carla
Comentário por Carla Nogueira 12.02.10 @ 8:39oh meu Deus, macaron’s *-*
Comentário por Henrique Catalani 12.07.10 @ 1:02Tão branquinhos, lindos!!!
Esses sim me deixaram com vontade de comer.
Amei o site.
Bjos meu amigo de infância.
ola sou confeiteiro vou tendar fazer essa receita eu tenho uma parecida se ficar bom eu falo ok um abraço
Comentário por paulo h bobadilha 12.22.10 @ 17:23[...] Macarons de malabie Deixe um comentário Nenhum Comentário so far Leave a comment Feed RSS dos comentários deste post TrackBack URI Deixe um comentário [...]
Pingback por ThinkFood 12.27.10 @ 1:38Oi Diego… Bom dia…
Obrigado pelo envio da receita.
Adorei seu blog e me mande noticias de seu livro e seus cursos .
Obrigada.. Ana Lucia..abraços…
[...] Macaron Muhallabyieh Deixe um comentário Nenhum Comentário so far Leave a comment Feed RSS dos comentários deste post TrackBack URI Deixe um comentário [...]
Pingback por ThinkFood 01.20.11 @ 0:01[...] Macaron Muhallabyieh 4 Comentários 4 Comentários so far Leave a comment [...]
Pingback por ThinkFood 02.01.11 @ 0:56Oi Diego,
Estou querendo um esclarecimento com relação ao açúcar, não sei qual devo usar temos o refinado da UNIÃO GLAÇUCAR que não contém amido, e temos outras marca como da MIX impalpável que contém amido, qual se usa na receita dos macarons?
Att.
Iolanda Torres
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