Em tempos onde as pessoas querem comer vivas umas às outras, propus à alguns blogueiros que fizessemos uma pequena “brincadeira” em conjunto.
A idéia era que cada um fizesse sua versão de um mesmo prato, e desta vez o escolhido foi o sonho. Pra isso, contei com a simpatia dos colegas: A Cozinha Coletiva, Mamma foodie, Pé na cozinha, Prato Fundo e The Cookie Shop.
Tempos atrás, comentei que minha infância foi marcada especialmente pela figura de meu avô materno, e pelos sonhos ou bombas que eventualmente trazia para o neto mais bonito e inteligente do mundo.
Atualmente um problema de saúde dele, me fez relembrar essa época, e viajar pelo tempo, fazendo minha própria versão de sonhos e de bombas; esse foi o verdadeiro motivo pelo qual estou aqui, escrevendo isso tudo.
Ele, que possibilitou a realização de um sonho, o incentivo maior para aprender a cozinhar e me tornar cozinheiro. Ofereço minhas bombas, e meus sonhos, atuais, e futuros, todos, sempre à ele, que foi meu pai.
Por certo tempo, pensava que o sonho era um doce típico brasileiro ou no máximo influência portuguesa. Não estava de todo errado, já que hoje em dia são sim, um dos mais populares doces do país, além de possuirem um “parente” português.
Porém, é sabido que sua real origem é germânica, da segunda metade do século XIX época do recém formado Império Alemão.
Trata-se de uma massa levedada, enriquecida com ovos, açúcar e manteiga, moldada em bolas que originalmente eram recheadas antes de serem fritas em óleo. Esta massa, chamada berliner costumava receber recheios de geléias de frutas, cremes de ovos entre outros; e polvilhadas levemente com açúcar fino (impalpável).
Hoje, são recheadas depois de fritas com auxílio de uma “bomba” ou para tal, são cortadas ao meio.
Muito consumido na Alemanha em épocas como Ano Novo e Carnaval, neste último alguns engraçadinhos costumam rechear seus berliners com mostarda pura, ou creme de cebola, e deixar entre os regulares, com o propósito único e exclusivo de fazer alguém de trouxa.
Na primeira metade do século XX os berliners ultrapassaram as fronteiras alemãs, por questões perfeitamente explicadas na história do mundo moderno (trocas entre as nações em guerra, por invasões, ocupações e afins) e com isso ganharam novas versões: na Dinamarca o Æbleskiver, Finlandia há o Hillomunkki, na Noruega, França, Holanda e Portugal temos nomes que significam “bola de Berlin”.
No Brasil, poéticamente foi batizado de “sonho”, e na Itália é chamado Bomboloni, ambos são feitos da mesma maneira, cortados ao meio e recheados exclusivamente com creme de baunilha (creme pâtissière).
Algumas receitas pedem o uso de fermento químico e biológico (na verdade não há em absoluto necessidade de ambos), ou para cortar bocados da massa com auxílio de copos ou cortadores redondos. Particularmente acho que não ficam esteticamente interessantes, quando feitos desta maneira me parecem acarajés. É perfeitamente possível fazê-los como sempre foram: bolinhas modeladas manualmente.
Na hora de fritar, a única dica é: espere o óleo aquecer porém frite em fogo baixíssimo permitindo que cozinhem completamente.
Sonhos
rende 15 unidades
- 500 g de farinha de trigo
- +- 200 ml de água
- 20 g de fermento biológico fresco
- 7 g de sal
- 50 g de açúcar
- 30 g de manteiga
- 15 g de leite em pó
- 2 ovos inteiros
Creme Pâtissière
- 500 ml de leite integral
- 50 g de manteiga
- 100 g de açúcar refinado
- 1/2 fava de baunilha (ou 25 ml de essência)
- 5 gemas
- 40 g de amido de milho
para finalizar:
- açúcar impalpável
1. Para os sonhos, misture a farinha, o fermento, manteiga, leite em pó, 3/4 da água e ovos. Logo em seguida junte o sal e o açúcar, certificando-se de não deixar que entre em contato direto com o fermento.
2. Sove a massa e aos poucos junte o restante da água a medida que for necessário. Caso necessite, junte mais água.
3. Após a sova [contemplando o perfeito desenvolvimento do véu de glúten], permita que a massa descanse por 30 minutos, em superfície levemente untada com óleo.
4. Divida a massa em porções de 60 g, faça bolinhas e modele manualmente.
5. Disponha as bolinhas de sonho, em uma assadeira untada com óleo e deixe fermentar por cerca de 2-3 horas, até que quase dobre de volume.
6. Cuidadosamente frite-as em óleo quente a cerca de 170º C até que estejam douradas e cozidas em seu interior. Escorra sobre papel absorvente.
7. Permita que esfriem completamente antes de rechear. Empregue o creme pâtissière, e cubra com açúcar impalpável. O açúcar impalpável resiste à umidade por muito mais tempo que o açúcar de confeiteiro que é altamente higroscópico.
8. Para o recheio, ferva o leite com a manteiga, açúcar, e baunilha.
9. Em um recipiente separado, junte as gemas (sem a película) com o amido e misture bem.
10. Despeje 1/3 do leite fervente na mistura de gemas, mexa bem, e volte tudo para a panela mexendo sempre até cozinhar completamente. Sabe-se que quando o creme desgrudar do fundo da panela, indica seu total cozimento. Resfrie e empregue no recheio dos sonhos.
12 Comentários so far
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Espetacular, além do sonho, é a garrafa de Jack atrás…. harmoniza? rsss abs
Comentário por Rafael 03.03.11 @ 14:52Esqueci de falar dela! Mas harmoniza super bem! hic hic…
Comentário por Diego Barreto 03.03.11 @ 14:55Sonho….uma viagem ao passado não tão distante. Um sensação de nostalgia mas com grande conforto que era os velhos tempos de criança quando ganhava um dos meus pais! Simplesmente fantastico…irei fazer certamente!! Abração Diego!!
Comentário por Thalles Damasceno 03.03.11 @ 15:45Uau!!! Babei, kkkkk.
Comentário por Joice Santini 03.03.11 @ 17:50Óinn, que fofo você é,fiquei mais feliz ainda de ter participado da brincadeira agora que você contou que é uma homenagem ao seu avô!
Adorei – quando vamos fazer de novo?
Que miam, miam … Sonho me lembra o Brasil, casa de vó no interiorrrrrrr, passeio a cavalo … Amei a receita e o blog é lindo de viver.
Comentário por Fabricia 03.04.11 @ 13:01Sonho… este blog tbm é um Sonho (que ja é realidade), Parabens
Comentário por Thiago Martins 03.08.11 @ 14:15Diego, há uma maneira especial de tirar a película da gema? Abs
Comentário por @rafao_76 03.13.11 @ 20:33Toda vez que entro no seu blog vejo o esse post do sonho. Tá incrível!
Bate um desejinho quando eu vejo essas fotos.
Quais as novidades Diego?
Comentário por Eliete Albuquerque 06.07.11 @ 13:09Deixe um comentário

