Faz um tempo que o Pará está na minha lista de lugares à conhecer. Desde que conheci jambú em 2008 a curiosidade não tem me deixado em paz.
Há algum tempo dei aula para uma moça paraense, e com o contato diário acabamos ficando amigos. Histórias das mais mirabolantes de sua terra me chegavam ao ouvido, e minha curiosidade com esse estado só aumentava.
Ganhei então, alguns mimos das bandas de lá; dentre eles o aviú!
Ouvi falar em avíu pela primeira vez ano passado, quando um professor paraense da faculdade em que ministrava aulas, prometeu um saco de avíu para uma colega de trabalho apaixonada pela iguaria. Sem saber do que se tratava, perguntei e soube en passant que se tratava de um pequeno camarão do Pará.
O aviú é um artrópode crustáceo, decápode, malacostráceo, macruro, sergestídeo (Acetes americanus) de água doce. É abundante na superfície das água, depois das primeiras enchentes dos rios amazônicos, principalmente no Tapajós, perto de Santarém – PA. Seu tamanho é de aproximadamente 8 mm.
O aviú está presente em uma grande variedade de pratos regionais, como tortas, ensopados, omeletes, farofas etc.
Em algumas regiões pode ser chamado de avium, e também é pano de fundo para diversas pegadinhas com turistas.
É natural alguém ser convidado para uma churrascada de avíu, ou para comer costela de aviú, ou ainda pedirem para retirar os minúsculos olhos de cada camarãozinho.
No Pará é vendido em feiras livres e mercado, fresco, salgado, ou congelado. ( entre $4 e $15/kg).
Seu cheiro lembra o camarão seco baiano, porém o sabor é distinto.
5 Comentários so far
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… que saudade que estava de seus posts…
Abração,
Carla Maicá, do Cucina Artusiana
Comentário por Carla Maicá 10.12.11 @ 22:40Também estava com saudades dos seus posts!
A Revista Cláudia acabou de chegar aqui em casa e quem eu encontrei no encarte especial? Quem? Quem? Quem?
Que ótima surpresa! O encarte ficou mais especial ainda, com suas dicas!
Beijão!
Que hiato, rapaz! Bem, coincidências – hospedei um amigo que veio de Belém e me trouxe um isopor com jambu, caldo de tucupi, farinha grossa, açaí (que não gosto muito…)e farinha de tapioca. Podemos fazer um jantar paraense! forte abraço,
W
Diego, acompanho teu blog com assiduidade, gosto muito do fato que, enquanto a maioria dos foodblogs por aí traz somente as receitas (e as vezes um pouco da vida pessoal do escritores), no teu é nítido que há uma preocupação em tentar dar mais informações pro leitor, nota-se que há um trabalho de pesquisa por trás. E as fotos são lindas!
Mas estou escrevendo especificamente nesse post porque sou de Santarém/PA, e portanto conhecedor de avium de longo tempo. É até um pouco engraçado ver tantos ingredientes da minha terra serem ‘descobertos’ agora, coisas que pra mim sempre foram comuns mas que pro restante do Brasil soa exótico. Ainda lembro alguns anos atrás quando o sudeste descobriu o açaí, e tinha que aturar marombeiros de plantão querendo me ensinar como tomar a iguaria ![]()
Mas esse movimento é positivo, pois é somente conhecendo e valorizando nossos ingredientes e preparos que poderemos criar uma gastronomia brasileira rica e múltipla.
Sobre o avium, você já falou bastante. Acrescento apenas que no Norte ele é normalmente consumido como ingrediente de omeletes, ou como recheio de tortas e bolinhos. E aproveitando, você conhece piracuí? É uma farinha de peixe, pesquise um pouco sobre isso, acho que vai te interessar.
Abraço,
Pedro Ivo
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