Broccoli con Bottarga
sexta-feira julho 22nd 2011, 22:22

Broccoli é o plural de broccolo em língua italiana. Algo como brócoli e brócolis. Existem alguns tipos de brocolis disponíveis no mercado (ou na feira de orgânicos da Água Branca), ultimamente tenho encontrado quase exclusivamente o “brocolis ninja/japonês”.

De tanto comer essa variedade, aos poucos fui cultivando uma saudadezinha do brocoli “antigo” aquele com galhos desajeitados que minha vó fazia com carne de panela. Pode ser implicância minha, mas acho que o brocoli ninja absorve mais água ao ser cozido do que esta variedade.

Por este motivo, para realizar essa receita, tive que ir à feira, procurar este vegetal julgando ser a melhor opção para tal.

Muita gente não sabe, mas brocolis podem ser consumidos crus, ao lado de legumes como salsão e rabanete, em tipos de entradas chamada crudités.

Para essa receita, adaptada do Silver Spoon, o broccoli foi ligeiramente cozido no vapor, apenas para revivar a cor verde-mecome e preservar sua crocância. São então, envolvidos em uma espécie de pesto, feito com manjericão, salsa, tomates, bottarga, alho, suco de limão e azeite.

O resultado é: brocolli crocante e lindo, envolto num molho fresco, com a picância do alho cru, e a combinação extremamente harmoniosa dos outros ingredientes. Em especial, evidentemente a bottarga!

Broccoli con Bottarga

serve 4

  • 1 maço de brocolis
  • 20 g de bottarga
  • 1 dente de alho grande
  • 1/2 tomate em cubos, sem pele ou sementes
  • algumas folhas de manjericão
  • algumas de salsa
  • 2 colheres de azeite extravirgem
  • 1 ou 2 colheres de suco de limão
  • sal o quanto baste

1. Cozinhe rapidamente o brocolis no vapor e reserve.

2. Em um pilão, junte a bottarga, manjericão, salsa, alho e uma colher de azeite, pile bem até obter uma pasta.

3. Junte o tomate em cubos, e continue pilando até obter uma espécie de pesto ainda com textura bastante grosseira.

4. Finalize com o restante do azeite, suco de limão e sal.

5. Envolva o brocolis neste molho, e sirva frio.



Falafel
quinta-feira novembro 25th 2010, 22:28

Outro clássico da cozinha árabe, o falafel é uma daquelas receitas que se você tiver uma vizinha de ascendência árabe… certamente um dia irá experimentar e se apaixonar.

Falafel é um tipo de bolinho de grão de bico ou fava (ou ambos) condimentado e frito. Pode ser consumido sozinho, com molho, acompanhado de salada, vegetais em conserva, no mezze,  ou como recheio de sanduíche.

Foi inventado do Egito,  onde é feito a partir de favas (e as vezes favas e grão de bico). Em outras regiões do Mundo Árabe, é feito exclusivamente com grão de bico.

Recentemente os israelenses se apropriaram da receita como sendo um aperitivo de preferência nacional, o que evidentemente não agradou à palestinos e outros árabes.

A palavra árabe falafil é o plural de filfil (pimenta) e como adjetivo tem a denotação de algo “fofo”, macio.

Os bolinhos podem ser moldados a mão em formato esférico ou semi-esférico (levemente achatados), com auxílio de duas colheres (diferente de queneles), ou ainda com instrumento próprio para moldar falafel: aleb falafel.

Falafel

  • 250 g de grão de bico demolhado por 24 h
  • 1 cebola grande
  • 3 dentes de alho
  • salsa fresca
  • cominho em grãos
  • coentro em grãos
  • semente de gergelim
  • noz moscada
  • canela
  • pimenta síria
  • pimenta do reino em grãos
  • summac
  • sal

1. Comece tostando ligeiramente os grãos: cominho, coentro, canela e pimenta do reino. Moa todos os temperos com auxílio de um moedor ou no processador.

2. No processador junte o grão de bico (com ou sem pele) a cebola, o alho a salsinha e os temperos.

3. Processe tudo até obter uma massa fina.

4. 90% do segredo para um bom falafel está na dosagem dos temperos. Todos devem estar presentes, sem que nenhum se sobressaia sobre os demais. Cuide para que isso aconteça. Ajuste o sal e reserve por  pelo menos 4 horas.

5. Modele os falafel (na mão pode ser dado formato redondo), e frite em óleo quente.

6. Sirva imediatamente acompanhado de molho tarator, ou em sanduíche com alface, tomate e cebola.

Se quiser uma maneira mais rápida (e bem menos gostosa) de fazer falafel, confira aqui.



Gnocchi – Il modo giusto
segunda-feira novembro 15th 2010, 20:39

Foi necessário minha mãe ter se mudado para a Itália um tempo atrás para que finalmente eu conseguisse fazer um gnocchi decente.

Por menor a intimidade que qualquer paulista tenha com a cozinha italiana, é dificil encontrar um que não se renda ao prazer que é comer uma boa massa. Mesmo minhas origens tendo raízes um pouco mais à sul da bota, as vezes me meto um pouco com massas e molhos.

Ao longo dos últimos tempos, escuto e guardo informações acerca da preparação do bendito gnocchi. Uns dizem que pra cada 1 kg de batatas há de se usar 1/2 kg de farinha, e 5 gemas. Outros defendem que deve ser feito com ovo inteiro. Ainda há quem diga que gnocchi com apenas claras fica muito mais leve.

Dentre tantas opiniões, fui buscar referência de algum especialista. Marcella Hazan em seu livro The classic italian cookbook diz:

“Várias receitas de nhoque de batatas pedem por muitas gemas. Eu considero que quanto menos levar, melhor fica! Ovos (sobretudo gemas) podem até fazer com que fique mais fácil de modelar, porém também fazem com que fique pesado e borrachudo. ”

Dona Hazan tem toda razão, mas existem alguns outros fatores além da gema, que contribuem para um resultado negativo. A idéia de fazer esse “guia de como fazer gnocchi” já tem um tempinho.

Feriados sempre vêm acompanhado (pelo menos pra mim) de uma vontade inconsolável de comer algo. Lembro-me que no último feriado de Ns. Senhora, estava dando um rim e meio pulmão por uma boa porção de coxinhas. Neste 15 de novembro, aliei a vontade de um bom gnocchi com o entusiasmo pra ensinar que esse prato pode ser bem mais fácil do que parece.

O mais legal do gnocchi é que leva poucos ingredientes e custa barato: batatas, farinha, ovos, sal e azeite. É tão fácil de fazer, quanto é fácil cometer algum erro durante o preparo e botar tudo a perder.

Muita água e ficará molenga, muita farinha e ficará denso e pesado no estomago.

Excesso de umidade é inimigo do gnocchi e por isso as batatas devem ser cozidas em água pura pelo tempo correto. Evite espetar as batatas uma vez que isso faz com que absorvam toda água do mundo. Batatas médias costumam estar cozidas em cerca de meia hora.

Caso esteja com dúvidas sobre o cozimento das batatas, coloque para cozinhar, uma batata extra, que você usará para conferir o cozimento, espetando com um garfo. Apenas não esqueça de exclui-la da receita.

Há outras maneiras de cozinhar batatas sem que use água: forno e microondas. No primeiro caso, lave, seque, fure, coloque-as em uma assadeira e cubra com papel alumínio, demoram cerca de 70-80 minutos em forno médio. Para cozinhar no microondas (método perfeito, rápido, econômico, e higiênico) lave, seque e fure-as, coloque em um recipiente próprio para microondas e cubra com tampa, cozinhe por cerca de 8-10 minutos virando-a por volta da metade deste tempo.

Gnocchi Clássico de batatas

  • 1 kg de batatas baraka ou asterix
  • 300 g de farinha de trigo
  • 2 gemas
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de café de sal

1. Cozinhe as batatas inteiras da forma que preferir. Assim que esfriarem descasque.

2. Amasse as batatas com espremedor, amassador, ou garfo de maneira que não fiquem pedaços.

3. Com as batatas já completamente frias, adicione as gemas, o azeite e o sal, misture. Junte a farinha toda de uma vez e misture com uma colher.

4. Quando estiver tudo misturado, porém não homogêneo, transfira a massa para uma superfície polvilhada com farinha e sove por apenas 1 minuto, até que fique uma massa uniforme. Sovar de mais, faz com que o glúten da farinha torne a massa elástica. E não queremos isso.

5. Nesta etapa a massa está pronta para ser trabalhada. Caso esteja grudenta, pode polvilhar com um pouco de farinha. Apenas não esqueça que se exagerar na farinha, o tornará denso e pesado.

6. Divida a massa em 8 partes aproximadamente iguais, enrole cada uma formando uma “cobrinha”. Polvilhe com farinha caso seja necessário.

7. Agora existem três alternativas no que se refere ao formato. Você pode apenas cortá-lo formando os conhecidos travesseirinhos. Pode usar a tábua para gnocchi ou reproduzir um efeito parecido usando um garfo. O processo é dificil de explicar, por isso fiz um vídeo rápido apenas para ilustrar.

Como usar a tábua para gnocchi from Thinkfood on Vimeo.

As listras feitas pelo molde de gnocchi contribuem para que a absorção do molho seja maior que o normal. Assim que terminar de enrolar os gnocchis, cozinhe imediatamente em água salgada. Jogue-os na panela, e quando voltarem à superfície significa que estão prontos.

Sirva com molho de tomate, pesto, salteados em manteiga, ou com molhos espessos. A minha sugestão é a forma como é servido em Roma: salteado na manteiga com azeite, pesto, e folhas de alface com tomates.

A textura do gnocchi crocante (depois de salteado) com o interior macio quase cremoso é incrível. O pesto é a coroa de louro desse prato que se for servido em ocasiões selecionadas, as tornarão inesquecíveis dentre os presentes.



Cúrcuma
terça-feira outubro 26th 2010, 1:47

A cúrcuma (Curcuma longa), turmérico, açafrão da terra, açafroa, açafrão da India, gengibre amarelo, entre outros é uma raíz, na verdade tubérculo (segundo minha amiga Rô) da família do gengibre (Zingiberaceae).

É nativa do sudeste asiático, necessitando de temperaturas entre 20ºC e 30ºC para o cultivo.

Para obtenção do tempero alternativo ao açafrão original, os rizomas (raízes) são cozidos por várias horas e então secos ao forno e moídos em um fino pó com textura de talco.

Este condimento de intensa cor amarelo-alaranjado é usado em curries, na cozinha asiática bem como na mediterrânea. Também é usado como corante na industria alimentícia para melhorar a cor de molhos de mostarda e de saladas, queijos, iogurtes, misturas de temperos secos, manteigas e margarinas, frango e carnes enlatadas, caldos desidratados ou em qualquer outra substituição como alternativa barata ao açafrão.

In natura seu sabor é perceptívelmente terroso, ligeiramente amargo/ardido (como menta), apimentado, e seu aroma lembra mostarda.

Na cozinha árabe é presente sobretudo nos pratos egípcios e persas, onde é empregado como “base frita”  misturando cúrcuma fresca ralada com cebola e óleo tem-se a base de tempero para arroz, frango e outras carnes.

Em São Paulo, encontra-se no Santa Luzia $17 kg.

Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que provei esse arroz. Preparado pelo chef David Hertz em um workshop em SP. O aroma é indescritível, predomina sobre tudo e toma conta do ambiente, nos deixa salivando como se não houvesse amanhã. O sabor não fica atrás! Apenas recomendo fortemente.

Arroz de limão

  • 1 colher de sopa de óleo
  • 2 xícaras de arroz
  • 1 dente de alho ralado
  • 2 cm de cúrcuma fresca ralada
  • sal
  • água

tempero:

  • 1 colher de semente de mostarda torrada
  • 2 folhas de louro
  • 1/2 colher de chá de garam masala*
  • 1/4 de colher de chá de pimenta calabresa
  • 1 cm de gengibre ralado
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • sal
  • suco de 1/2 limão

1. O preparo do arroz é feito da maneira normal. Deve-se refogar o arroz com os temperos. A “novidade” neste caso é a presença da cúrcuma fresca ralada; em substituição pode-se usar em pó.

2. Após cozido o arroz, prepare a mistura dos temperos. Basta juntar os temperos em uma frigideira (mostarda, louro, garam masala, pimenta, gengibre) fritar ligeiramente em azeite, ou óleo de milho.

3. Misture o tempero no arroz frio, ajuste o sal, e despeje o suco de limão conforme seu paladar. Sirva frio, acompanhando frango ou peixe.



Hummus bi tahini
terça-feira outubro 19th 2010, 23:26

Hummus é a palavra árabe para grão de bico. Hummus bi tahini (ou Hummus bil t’hiné) embora um pouco óbvio, significa grão de bico com tahini e é a forma “longa” de nomear esse prato tão difundido pelo Brasil.

Aqui, escreve-se “homus” para evitar confusões com a matéria organica humus. Porém o correto ainda é, e sempre será hummus.

Este integrante do mezze, é um dos mais famosos e difundidos pratos da cozinha mediterrânea, é comumente consumido durante o café da manhã, ou lanche acompanhando o falafel (bolinho de grão de bico frito). Outras variações podem ser feitas na falta do grão de bico, onde é substituído por favas ou mesmo lentilhas.

Hummus é excelente quando feito com ingredientes frascos, porém também pode se usar (pela praticidade e rapidez) grão de bico cozido de lata (ou caixinha). Na geladeira conserva se bem por uma semana, no freezer são até seis meses.

Hummus bi tahini

  • 250 g de grão de bico cozido
  • 4 colheres de sopa cheias de tahini
  • suco de 1/2 limão
  • 2 dentes de alho
  • água do cozimento (para ajustar)

1. Bata no processador (liquidificador também funciona bem) o grão de bico, alho, tahini e suco de limão.

2. Conforme for necessário, junte a água do cozimento do grão de bico, afim de ajustar a consistência, deve ficar macio. Caso tenha utilizado grão de bico enlatado, pode se fazer uso do líquido que acompanha.

3. Ajuste o sal, e sirva decorado com páprica, azeite e grãos de bico cozido.



Babaganoush
sexta-feira outubro 15th 2010, 20:15

Na Síria diz-se Babaganouj com um belo “J” no final.

O babaganoush é um daqueles pratos do “mezze”, confundido com o Moutabal ambos levam a berinjela chamuscada como principal ingrediente.

A presença do melado de romã, leva ao prato características muito especiais, como o sabor frutado doce/azedo. O prato funciona muito bem como acompanhamento de kafteh, ou kibbe grelhados. Sua presença não é assim por dizer “super obrigatória” mas vale muito a pena seguir a receita e colocar um pouquinho, muda completamente a complexidade do sabor.

Esta é uma das duas versões mais difundidas do babaganoush, além da berinjela leva em seu preparo: pimentão vermelho ou amarelo (usei verde porquê era o que estava na mão), cebola, alho, salsinha, limão e tahini.

Babaganoush

  • 2 berinjelas grandes
  • 1/2 cebola média cortada brunoise (cubos pequenos)
  • salsinha
  • 1 dente de alho picado minúsculo
  • pimentão vermelho ou amarelo cortado brunoise
  • suco de 1/2 limão
  • 3-5 colheres de sopa cheia de  tahini
  • sal

1. Lave, enxugue, corte o pedúnculo e faça o corte em cruz nas berinjelas.

2. Coloque-as diretamente na chama do fogão para que queimem completamente. Com auxílio de uma pinça, vá virando a berinjela a medida que sua casca vai queimando. O método é o mesmo usado aqui.

3. Reserve as berinjelas enroladas em filme plástico por cerca de 30 minutos. Lave e retire a casca em água corrente.

4. Disponha a berinjela em um recipiente e retire um pouco das sementes (apenas o excesso), junte o tahini, colher por colher, até que fique de acordo com seu paladar.

5. Junte os outros ingredientes e corrija o sal. Sirva em temperatura ambiente, ou resfriado, acompanhando kibbe, pão sírio ou como parte do mezze.



Muhammara
domingo outubro 10th 2010, 11:21

A muhammara, do árabe “avermelhado” é uma pasta de pimentões vermelhos, geralmente consumida no almoço ou como parte do mezze (espécie de buffet árabe).

Original do norte da Síria, mais precisamente da região de Aleppo, pode também ser encontrado no sul da Turquia, bem como em outras regiões do Oriente Médio.

Em seu preparo clássico, é feito a partir de fléfleh, uma pasta de pimentões secos ao Sol. Esta, pode ser substituída, igualmente com sucesso, por pimentões tostados.

Como a maioria dos pratos tradicionais da cultura árabe, não são receitas supercontemporâneas, cabendo a cada mãe árabe designar a melhor forma de preparo e tempero. Algumas variações podem excluir as nozes e o melado de romã, acrescentar alho e limão, ou substituir a farinha de rosca por trigo para kibe.

Essa deliciosa entrada, combina o sabor da pimenta o agri-doce do melado de romã e a textura crocante conferida pelas nozes. Pode ser servida junto com pão árabe, carnes, frangos ou peixes grelhados.

Muhammara

  • 3 pimentões vermelhos grandes
  • 1/2 cebola picada pequeno (brunoise)
  • 1 dente de alho grande em brunoise
  • 1 colher de sopa de extrato de tomate
  • 1 colher de café de pimenta calabresa seca
  • 30 ml de azeite
  • 2-3 colheres de sopa de farinha de rosca
  • 2 colheres de melado de romã (opcional)
  • 50 g de nozes picadas
  • sal

1. Queime os pimentões diretamente no fogo, afim de retirar a pele. Mesmo processo feito com a berinjela nesta receita. Reserve-os em saco plástico por 30 minutos, lave retirando toda pele queimada. Corte em tirinhas (ou de qualquer outro jeito) e reserve.

2. Em uma frigideira grande, coloque o azeite, alho, cebola, e sue por alguns minutos. Junte o extrato de tomate, e alguns minutos depois os pimentões. Salteie a mistura até que tudo esteja bem amalgamado.

3. Após amornar, bata o pimentão no processador (ou liquidificador) adicionando as nozes e a farinha de rosca.

4. Transfira para um recipiente e tempere com o sal e o melado de romã conforme o gosto. Decore em um prato, com nozes, folhas de salsa e um fio de azeite. Sirva frio.

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Moutabal
terça-feira setembro 28th 2010, 1:09

Há no Brasil, uma confusão acerca de um prato árabe, e espero (ingenuamente) sanar essa questão de uma vez por todas.

Evidente que imagino, gerar um pouco de polêmica, afinal não deve ser fácil mudar algo que está “equivocado” a tanto tempo.

O caso é Moutabal x Babaganoush!

Ambos levam como ingrediente principal berinjela “defumada”, e as semelhanças param por aí! Moutabal, leva iogurte, tahini e alho. Babaganoush leva xarope de romã, tomates (as vezes pimentões), salsa e nozes.

Segundo a chef Leila Kuczynski do restaurante Arábia:

“No Líbano moutabal está de acordo com sua descrição; babaganuch é temperado com pimentão, cebola, alho e salsinha; e um terceiro modo de temperar que tem o nome equivalente a “as barbas do pastor”, leva essência de romã, alho e salsinha.

Aqui no Arábia servimos os 3 tipos, mas o que oferecemos todos os dias é o moutabal, que aqui no Brasil, leva o nome de babaganoush. A diferença entre os tipos é a forma de temperar e no Brasil essa diferenciação não é muito feita.”

A berinjela para ambos os casos é cozida de forma bastante peculiar. Deve ser levada diretamente à chama do fogão e cozida até que esteja totalmente chamuscada por fora e macia por dentro. Isso dá ao prato, características especiais de “defumado”. Nenhum outro método de cozimento consegue se assemelhar ao sabor exato que este confere.

Depois de cozida, a berinjela deve ser envolta em filme plástico (ou em saco plástico) por cerca de 20 minutos. Isso ajuda a soltar a camada externa da casca chamuscada, e permite a continuação do cozimento por calor residual.

Para escolher as berinjelas, procure as que estiverem com a casca firme, lisa e brilhante. Procure atentamente em toda extensão da berinjela por furinhos que possam indicar presença de larvas. Outra técnica para saber se há intrusos na sua berinjela é chacoalhar! Se houverem larvas, você perceberá algo sendo agitado de um lado para outro.

Moutabal

  • 3 berinjelas grandes
  • 3 colheres de sopa de tahini
  • suco de 1 limão
  • 2 dentes de alho socados com sal
  • 80 ml de iogurte natural

1. Lave e enxugue as berinjelas, corte o pedúnculo e faça um corte em cruz na berinjela, para eliminar vapores durante o cozimento.

2. Leve a berinjela diretamente à chama do fogão, em fogo alto. Gire a berinjela com auxílio de uma pinça conforme for cozinhando. Quando estiver com a casca totalmente chamuscada, reserve embrulhada em filme plástico ou saco por 20 minutos.

3. Lave as berinjelas cuidadosamente sob água corrente, e retire toda a casca chamuscada.

4. Abra as berinjelas com as mãos e retire excessos de sementes. Pressione a berinjela contra uma peneira grande afim de retirar algum excesso de água que possa ter sido absorvido.

5. Junte todos ingredientes em um processador de alimentos, liquidificador, ou misture manualmente com auxílio de um garfo. As quantidades são apenas para fins de parâmetro, cabendo ao cozinheiro ajustar os temperos de acordo com suas preferências.

6. Decore com páprica picante, e um fio de azeite. Reserve refrigerado.

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Gözleme karisik
quarta-feira setembro 01st 2010, 0:12

Essa espécie de “quesadilla” de origem turca é extremamente fácil de fazer, rápida e costuma ser consumido nas ruas, vendido em barraquinhas. Mulheres abrem pequenas porções de massa com a velocidade que Maradonna tinha pra correr na década de 80. O recheio é posto, lacrado, e grelhado; tudo isso em menos de 1 minuto.

Na Austrália (não me pergunte o porquê) existem muitos imigrantes turcos, e por lá o gözleme é tão popular como a pizza é por aqui (pelo menos em São Paulo).

Pronuncia-se /gurz-le-me/, derivado da palavra göz “olho” o prato é tradicionalmente grelhado sobre uma panela chamada saj. Trata-se, de um tipo de wok, que é usado do lado contrário do que comumente usa-se a wok. A massa usada para fazer o gözleme varia bastante, podendo até mesmo ser a mesma do tradicional pão lavash ( Turquia, Armênia, e adjacências).

O prato ainda recebe nomenclatura complementar de acordo com o recheio utilizado:

  • etli – recheado com carne desfiada
  • ispanakli – recheado com espinafre
  • karisik – recheios misturados (caso desse que fiz)
  • kasar peynirli – recheado com queijo de ovelha cozido (amarelo)
  • katmer - sem recheio
  • kiymali – com carne de cordeiro moída
  • mantarli - com cogumelos
  • patatesli – com batatas amassadas
  • peynirli – com feta

Uma versão contemporânea do gözleme vem sendo feita em restaurantes turcos com banana e mel, servidos com uma fatia de limão.

O Ayran, uma espécie de “lassi” (iogurte de ovelha com água ou suco de frutas, e hortelã) acompanha o gözleme.

O gözleme ainda pode ser encarado como um prato light, por levar pouquissimo óleo em sua preparação. Bem como, um prato veggie!

Gözleme

serve 8 porcões
xícara medida 240 ml

massa:

  • 3 xícaras de farinha de trigo
  • 8 g de sal
  • 21 g de fermento biológico fresco
  • 15 g de açúcar
  • +- 300 ml de água

1. Misture todos ingredientes, usando a água para dar ponto na massa (deve ficar como massa de pão).

2. Cubra com pano úmido ou filme plástico e deixe descansar por cerca de 1 hora.

3. Divida a massa em 8 porções iguais.

4. Com auxílio de um rolo de massa, abra cada bolinha em um círculo com cerca de 2 mm de espessura.

5. Disponha 1/8 do recheio na massa, e feche dando formato de meia lua.

6. Dobre as pontas para dentro, de forma que fique um retângulo.

7. Pincele o gözleme com azeite e grelhe em uma chapa lisa, de ambos os lados. Fatie e sirva imediatamente com limão.

recheio:

  • 2 berinjelas pequenas grelhadas
  • 1 maço de espinafre
  • 1 ricota de aproximadamente 400 g
  • alho
  • óleo
  • sal e pimenta do reino

1. Corte as berinjelas em fatias, tempere como quiser (usei sal, pimenta, aceto balsâmico e ervas), grelhe-as, e depois de fria, corte em cubinhos.

2. Descarte a parte fibrosa dos talos do espinafre. Escalde rapidamente (branqueamento) as folhas de espinafre e depois faça-as “ao alho e óleo” bem simples, ajustando os temperos.

4. Passe a ricota pelo processador de alimentos, ou através de uma peneira, de modo a ficar macia.

5. Junte a ricota ao espinafre e à berinjela, ajuste os temperos e reserve para rechear o gözleme.

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Salada de Abacates
quinta-feira agosto 26th 2010, 21:34

Avocado é a palavra inglesa para “abacate”, porém aqui no nosso amado país, serve para designar específicamente uma das cultivares de abacate (Persea americana).

O abacate é originário das Américas, e após a época das grandes navegações foi difundido por grande parte do planeta. A etimologia da palavra varia do Nahuatl, “ahuacatl” (testículo, em referência ao formato). Em alguns países da América do Sul, é conhecido pela nomenclatura Quechua (ao invés da Nahuatl) “palta“. Em outros países hispanófonos o termo adotado é aguacate.

Em boa parte dos países consumidores de abacate, é comum servir se da fruta juntamente com carnes e outros pratos salgados. No Brasil, por cultura adquirida dos povos vindos do Moçambique, é natural consumir o abacate amassado (ou cortado) com suco de laranja ou limão e açúcar.


Esq: avocado maduro, dir: avocado verde.

Os benefícios do abacate são conhecidos por todos os povos.

No Oriente Médio, o abacate também é bastante apreciado, dentre outras figurações, a salada de abacate pode se tornar um excelente acompanhamento para carnes assadas, principalmente o cordeiro.

No sabor, essa salada pouco (ou quase-nada) lembra a guacamole. A combinação dos ingredientes beira a perfeição. A untuosidade do avocado, acidez da azeitona preta, com a delicadeza do feta dão origem à essa “classica” e refrescante salada. Perfeita para “primavera-verão’

Salada de Abacates

  • 5 avocados maduros
  • 2 limões sicilianos
  • 150 g de queijo feta
  • 1 cebola pequena fatiada
  • 12 tomates cereja ou sweet grape
  • 10 azeitonas pretas
  • salsa
  • hortelã
  • azeite
  • sal
  • pimenta do reino

1. Corte os abacates ao meio e retire o caroço.

2. Com auxílio de uma colher, retire a polpa deixando cerca de 2 mm na borda das frutas (isso ajuda a manter a casca rija o suficiente para servir. Reserve.

3. Corte os pedaços da polpa do abacate e regue com suco de limão. Regue também o interior das cascas do abacate para evitar oxidação.

4. Corte o queijo feta em cubinhos, os tomates ao meio, e misture à polpa de abacate. Junte a cebola, hortelã e salsa finamente picados.

5. Disponha a salada no interior de cada casca do abacate. Decore com folhas de hortelã e azeitonas pretas. Tempere com azeite, sal e pimenta na hora de servir.

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