Resenha: Culinária Japonesa
terça-feira julho 27th 2010, 14:00

Música e comida típica do Japão!

Essa é a proposta do livro Culinária Japonesa – Receitas especiais fáceis de fazer. Lançado no mês passado pela Publifolha (que gentilmente me enviou um exemplar para apreciação), o livro apresenta receitas do Japão para fazer em casa, com explicações sobre os ingredientes, as técnicas de preparo mais utilizadas e as principais receitas de base, como arroz para sushi, missoshiru e omelete japonês.

Traz ainda uma introdução sobre o mundo da gastronomia oriental, com informações úteis sobre utensílios e o modo de fazer receitas de aperitivos, sopas, carnes, peixes, cozidos e grelhados. Ricamente ilustrado com as imagens dos pratos, ensina a fazer temakis, niguiris, hossomakis bem como diversos tipos de sushis e sashimis, bem como pratos da cozinha quente e sobremesas.

O interessante do conceito deste é livro, é que acompanha um CD com músicas típicas do país, para o leitor se inspirar e entrar no clima. Confesso, que as músicas me pareceram todas iguais, e me causaram uma leve sonolência, tudo bem que estou acostumado ouvir darbuka e bendir, então não sirvo muito de parâmetro.

Ficha técnica:

A autora, Emi Kazuko é autora de Japanese Food and Cooking, que ganhou o prêmio de World Asian Cuisine Book da Gourmand Cookbook Awards 2001, Master Class in Japanese Cooking e Easy Sushi. Participou do The Food Programme da BBC 4, do Woman’s Hour da Rádio 4 e do BBC World Service. Seu livro Street Café Japan foi transformado em uma série televisiva para a Uk Style.

O livro possui capa em papel cartão, páginas presas em espiral tipo caderno e acompanham um cd de música típica japonesa. São 216 páginas divididas em três partes além da introdução.

A parte 1: O Básico; fala um pouco sobre os principais ingredientes da cozinha japonesa, ensinando a identificar, comprar e armazena-los. Conta ainda com uma bela explicação das principais técnicas de cozimento, pré preparo e alguns cortes, utensílios e receitas bases da cozinha japonesa. Essa primeira parte do livro, também exerce a função de Glossário.

A parte 2: As receitas; está dividida em sete subtópicos de receitas ilustradas. São elas: aperitivos e entradas, sopas, sushi e sashimi, pratos principais, saladas e legumes, arroz e macarrão e sobremesas.

A parte 3: Os cardápios; conta com doze sugestões de cardápios para ocasiões especificas como “almoço rápido” e  ”jantar de semana com os amigos”. Cada cardápio, além das sugestões de pratos, ainda apresenta um cronograma com o horária em que as etapas do preparo devem ser cumpridas.

O indice, nas ultimas páginas é bastante prático e detalhado, contendo os nomes dos pratos em japonês (transliterado em alfabeto latino é claro) e o seu significado em português.

Depois disso tudo, me arrisquei em fazer uma saladinha muito apreciada por aqui: sonomono!

Sunomono

  • 2 pepinos japoneses
  • 1/3 de cenoura
  • 35 g de harusame (macarrão de feijão)
  • 15 g de gergelim preto torrado

tempero:

  • 100 ml de vinagre de arroz
  • 30 ml de água
  • açucar e sal Q.B

1. Comece fazendo o tempero da salada: em uma panela (nunca de alumínio, pois reage com o vinagre)  junte o vinagre, a água, o açúcar e o sal QB (quanto baste); eu usei 1 colher de sopa bem cheia de açúcar, e 1/2 colher de chá de sal aproximadamente.
2. Leve a mistura ao fogo moderado, e mexa até que dissolva o açúcar. Não deve ferver. Reserve até esfriar.
3. Lave e descasque “malemá” o pepino, deixando pedaços com casca. Corte em fatias finas com faca ou cortador de legumes (mandolim). Reserve.
4. Descasque a cenoura e corte em julienne. (eu usei o mandolim com a lâmina específica). Reserve.
5. Hidrate o harusame em água fria por 5 minutos, escorra e cozinhe em água fervente por mais 5 minutos. Retire da panela, e com uma peneira esfrie debaixo da torneira de modo a parar o cozimento. Reserve.
6. Torre o gergelim preto até que solte o aroma característico de gergelim torrado. Cuidado para não queimar, visto que ele já é preto. Reserve.
7. Em um recipiente, misture a cenoura e o pepino fatiados, com metade do tempero. Reserve por 30 minutos, mexendo delicadamente uma ou duas vezes.
8. Escorra o pepino e a cenoura. Despreze o líquido.
9. Adicione à mistura de pepino; o harusame, o gergelim torrado, e o restante do tempero. Deixe amalgamar os sabores (refrigerado) por 1 hora antes de servir.

Quem gostar, pode adicionar alga wakame ou kani-kama

Mudando de assunto de pato pra ganso: vem novidade por aí, fique de olho porquê eu e minha BFF dona Pat do Oh! Maria (site impecável de coisinhas maravilhosas e muitíssimo bem costuradas) estamos tramando algo!

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Cornichons
quarta-feira julho 21st 2010, 13:25

Ter paciência é algo muito relativo, as vezes temos muita (e com pessoas que não merecem) outras, ficamos irritado por ter que esperar. Conservas em geral, dependem praticamente do tempo, pra que dê certo.

A história desses cornichons é quase um testemunho de glória e superação. Tá é mentira!

Eles foram encontrados por acaso, uma única ultima bandeija em um desses Hortifrutti hiperinflacionados de São Paulo. Levados pra casa, foram acondicionados na gaveta da geladeira onde ficaram esquecidos por exatos 8 dias. Fiquei tão feliz quando os encontrei, e ainda mais quando vi que estavam vivos ainda! Durinhos, sem partes estragadas, pronto pra usar!

Pra constar, o kilo foi $7,98.

Esse tipo de pepino, na verdade não é pepino. O gherkin (palavra inglo-hindu para cornichons) embora seja da mesma espécie que o pepino, pertence a uma cultivar diferente, que deve ser colhida com o tamanho de 4 à 8 cm evitando assim que o fruto fique amargo com o amadurecimento.

Na França, o termo cornichon ainda é utilizado no vocabulário familiar pra designar um homem estúpido. Lá os cornichons são classicamente consumidos com pâtés e carnes defumadas/embutidos, enquanto em outros países (leia-se EUA) fazem parte de lanches e acompanham peixes e saladas.

Cornichons em conserva

  • 400 g de cornichons
  • 1 e 1/2 colher de sopa de sal refinado
  • 1oo ml de água
  • 250 ml de vinagre branco de vinho ou arroz
  • 15 g de sal
  • 20 g de açúcar
  • 1-2 cravos
  • 10 grãos de pimenta do reino
  • 1 dente de alho inteiro descascado
  • 1 folha de louro

Opcional: (não utilizei)

  • folhas de estragão
  • grãos de mostarda
  • Tomilho

1. Lave bem os cornichons, deixe em solução esterilizante  (hipoclorito de sódio) seguindo as recomendações do fabricante.
2. Enxágüe bem e escorra o excesso de água.
3. Com auxílio de uma colher, raspe os “espinhos” de cada cornichon.
4. Apare as extremidades com uma faca pequena.
5. Disponha-os em um recipiente e coloque a 1 e 1/2 colher de sal. Misture. Reserve por 24 horas em local fresco, coberto com um pano limpo.

6. Despreze o líquido que se formou, e lave os pepinos muito bem, em água corrente. Deixe de molho em água limpa por 30 minutos. Escorra e enxugue cada um dos cornichons muito bem com um pano.
7. Em uma panela, junte a água, vinagre, sal (15 gr) e açúcar leve ao fogo alto até quase ferver. Reserve até que esfrie completamente.
8. Esterilize um vidro com tampa fervendo em água por 5 minutos. Reserve e seque.
9. Disponha os cornichons, alho, louro, cravo, e a pimenta do reino (e outros temperos caso queira) no vidro esterilizado, cubra tudo com a mistura de vinagre. Reserve em local escuro por no mínimo 45 dias antes de consumir.

UPDATE:

Com apenas 18 dias na geladeira, e uma noite de muita fome, ontem abri o pote e comi um para experimentar se já estavam aptos a serem degustados. Na dúvida, comi o segundo, o terceiro… Ficaram absurdamente deliciosos, esse final de semana vou correr no hortifruti ver se consigo comprar mais, e estocar pro ano inteiro (exagerado).

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Gari Shoga – Conserva de Gengibre
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Gari Shoga
quinta-feira junho 24th 2010, 1:13

Quem me conhece sabe que eu sempre digo que não me meto muito a cozinhar pratos da cozinha fria japonesa. Prefiro comer!

O gari shoga é uma conserva de gengibre feita em meio líquido (amasu – vinagre conservante), geralmente acompanha os sushis e sashimis com a função de limpar o paladar entre uma bocada e outra. Na Cozinha Japonesa o gari é classificado como tsukemono que significa literalmente “algo em conserva”. Os tsukemonos são geralmente servidos com arroz ou sushi como okazu “acompanhamento”.

Gari e sunomono, são duas coisas que eu faço muita questão quando vou comer em algum restaurante japa. Não pode faltar nen um nen outro.

Por ocasião dessa minha paixão platônica por ambos, um dia de verão passeando pela Liberdade; encontrei os gengibres “frescos” adequados à essa preparação.

Fazer conservas de certa forma é uma atividade simples porém necessita de alguns cuidados especiais:

  • O vidro por exemplo deve ser esterilizado bem seco com pano limpo para só então ser utilizado.
  • O ideal é sempre tentar preencher o recipiente até a borda, pra evitar que se forme uma bolsa de oxigênio dentro do vidro. O oxigênio ajuda no desenvolvimento de alguns microorganismos que necessitam dele para se desenvolver. (Embora também existam os anaeróbios que não necessitam de oxigênio.)
  • Assegure-se da limpeza dos ingredientes bem como utensílios a serem utilizados no processo.
  • Lembre-se que o que age como conservante é (em geral) o sal e o vinagre. Portanto a salmoura deve ser salgada o suficiente pra impedir que surjam microorganismos indesejados. E se fizer conserva em meio ácido, este deve ter o pH adequado para este fim.

Gari Shoga

Amasu:

  • 300 ml de vinagre de arroz
  • 225 g de açúcar refinado
  • 12 g de sal
  • 4 gotas de corante em gel rosa

1. Junte todos ingredientes em uma panela de inox (nunca de alumínio pois este reage com o ácido) e leve ao fogo médio, mexendo de quando em quando apenas até que todo o açúcar e sal tenham se dissolvido por completo. A mistura não deve ferver.
2. Junte o corante. Reserve.

O gengibre:

  • 1 kg de gengibre novo
  • 30 g de sal

1. Com auxílio de uma colher raspe o gengibre de modo a tirar toda a sua casca.
2. Lave e enxugue os pedaços de gengibre.
3. Fatie finamente o gengibre na faca ou com ajuda de um mandolin (fatiador japonês com regulagem de espessura.) Tente fazer isso no sentido contrário ao da fibra.
4. Coloque todo o gengibre fatiado em uma tigela de inox e polvilhe com o sal. Deixe repousar por 24 horas.
5. No dia seguinte, lave bem o gengibre em água corrente, escorra.
6- Misture o amasu colorido (ou não colorido) quente no gengibre fatiado.
7. Disponha a mistura em um recipiente de vidro com tampa (ou fecho hermético). Não aperte.
8. Dê leves batidas no recipiente contra a mesa a fim de retirar alguma possível bolha de ar.
9. Mantenha resfriado por cerca de 2 semanas antes de consumir. A duração é de 6 meses tranquilamente.

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Mahshi al-Bathenjan
quinta-feira junho 17th 2010, 4:30

Inspiração ou patriotismo, fato é que ando fazendo bastante pratos da cozinha mediterrânea ultimamente, e planejo continuar postando (na medida do possível) sempre algum notável prato dessa cozinha fascinante em aromas e sabores, que é a cozinha do Oriente Médio de forma geral.

O Mahshi al-Bathenjan é um prato pouco conhecido aqui no Brasil, exceto pelos “brimos” que costumam consumí-lo normalmente com a mesma frequência com que comem o Kousa Mahshi.

As diferenças entre ambos são mínimas, eu particularmente prefiro o Mahshi feito com abobrinhas por ser mais delicado. Os feitos com berinjelas adquirem o aroma característico deste legume, bem como seu sabor e textura tipicos.

Mini berinjelas são necessárias para o preparo. Berinjelas e abobrinhas como legumes de massa, podem ser obtidos em tamanho mini simplesmente efetuando a colheita precoce, o que os diferem de outros mini legumes que precisam de alterações genéticas ou plantio híbrido.

Mini berinjelas são encontradas com facilidade em supermercados como o Pão de Açúcar ou hortifrutis “diferenciados” como o Natural da Terra, onde paguei R$ 7,00 o quilo.

Para escolher, procure pela casca lisa brilhante, uniforme e firme, sem furos ou danos. Para berinjelas “normais” é comum (pelo menos entre os árabes lunáticos) chacoalhar a berinjela pra sentir (e ouvir) o que pode vir a ser o barulho do movimento, que uma possível larva faria ao ser chacoalhada dentro da berinjela. Portanto um legume que não ressoar barulho algum, está livre de qualquer bicho.

Mahshi al-Bathenjan

  • 20 mini berinjelas
  • 250 g de coxão mole moído
  • 180 g de arroz
  • 1 tomate maduro em cubinhos
  • pimenta do reino
  • pimenta síria
  • cravo em pó
  • canela em pó
  • gengibre
  • noz moscada
  • sal

Caldo de Tomates

  • 2 tomates maduros em cubos
  • 1 lata pequena de extrato de tomates
  • 1/4 de cebola picada
  • 1 folha de louro pequena
  • +- 3 litros de salmoura
  • sal e pimenta do reino
  • azeite

Salmoura

  • +- 3 litros de água
  • 3 dentes de alho socados com
  • 1 colher de sopa cheia de sal
  • hortelã seca

1. Corte o pedúnculo da berinjela com uma faca de legumes.
2. Fure toda a berinjela com auxílio de um garfo.
3. Com a munara (descaroçador de legumes) retire toda a polpa da berinjela tomando cuidado para não furar o legume.



4. Misture todos os ingredientes da salmoura e empregue.
5. Deixe as berinjelas submersas na salmoura por cerca de 30 minutos. Repita o procedimento com as abobrinhas.



6. Misture os ingredientes do recheio: arroz, carne, tomate e as especiarias. Reserve.
7. Recheie 3/4 dos legumes com a preparação de carne e arroz. Não compacte demais o recheio. Não encha demais.
8. Em uma panela grande, doure levemente a cebola no azeite, junte os tomates a folha de louro e por ultimo o extrato.
9. Junte a salmoura onde os legumes foram postos de molho. e deixe ferver. Ajuste os temperos.
10. Em uma panela grossa de tamanho que acomode seus legumes, forre o fundo com folhas de repolho e disponha as berinjelas.
11. Por cima coloque as abobrinhas, despeje o caldo de tomates quente e deixe cozinhar em fogo médio por 15 minutos. 12. Baixe o fogo e cozinhe mais 20-25 minutos.

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Kousa Mahshi – Abobrinhas Recheadas
quarta-feira junho 02nd 2010, 6:03

A palavra Mahshi significa “recheado” em árabe, e serve pra designar geralmente um processo, algo como o que os franceses chamam de “farci”.

Kousa Mahshi ou Mahshi al-Kousa, abobrinhas recheadas é um prato bastante consumido no Líbano, Síria, Egito, Turquia, entre outros países de cultura árabe bem como a Grécia e Armênia, que muito embora não façam parte do chamado ‘Mundo Árabe” compartilham muito desta Gastronomia.

Este prato, tem um significado bastante familiar para mim, é o tipo de comida que pode-se comer com a mão. Roubar abobrinhas direto da panela da jadda (avó) é um clássico da infância. Além da abobrinha, pode-se fazer Mahshi com berinjelas, nesse caso Bathenjan Mahshi.

O ideal para esta preparação, é fazer uso das baby-abobrinhas encontradas em alguns lugares “diferenciados”. No Oriente médio essas abobrinhas pequenas são bastante comum, bem como baby-berinjelas. Na falta, pode-se usar as abobrinhas italiana sem nenhum problema, desde que procure pelas de formato mais reto possível, pois isso facilita a retirada da poupa.

Outro aspecto importante a ser tratado é falar sobre o caldo de tomate onde devem ser cozidas. Em muitas receitas vejo que recomendam cozinhá-las em molho de tomate. Ok, estamos falando de cozinha mediterrânea certo? Entendam que não deve ser um “molho de tomate” e sim um caldo de tomate, bem aguado, o que permite um bom cozimento das abobrinhas bem como do arroz.

Exite um utensílio próprio para retirar a polpa de vegetais, em árabe é chamado de munara desconheço o nome em português. Em São Paulo pode-se encontrá-lo no Saddi Center ou na Rua Comendador Abdo Schain. É claro que se pode conseguir um efeito semelhante usando uma faca de lâmina estreita ou algo que possibilite esse trabalho.

Kousa Mahshi

Abobrinhas:

  • 10 baby abobrinhas
  • 200 g de coxão mole moído
  • 150 g de arroz cru
  • pimenta do reino
  • pimenta síria
  • cravo em pó
  • canela em pó
  • gengibre
  • noz moscada
  • sal

Caldo de tomate:

  • 4 tomates sem pele e sementes
  • 1/4 de cebola picada
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • +- 2 litros de água
  • sal e pimenta do reino
  • azeite

Para rechear as abobrinhas, primeiro fure algumas vezes com um garfo, retire a extremidade do pedúnculo, e com auxílio do descaroçador “cave” por dentro da abobrinha retirando toda a polpa cuidadosamente para não furar. Recheie 3/4 do legume com a mistura de carne, arroz e especiarias. Reserve.

Para o caldo; cubra o fundo de uma panela com uma fina camada de azeite e frite rapidamente a cebola picada e os dentes de alho inteiros acrescente o louro e a pimenta do reino, depois junte os tomates e deixe até que desmanchem. Cubra tudo com água quente. Acerte o sal.

Para cozinhar as abobrinhas, arrume-as em uma panela grossa, e cubra com o caldo de tomates, não é necessário colocar um peso pressionando as abobrinhas como é de costume fazer para o cozimento dos charutos. Cozinhe em fogo baixo por cerca de 30 minutos.

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Batata de Campanha – E uma agenda cheia
quarta-feira março 03rd 2010, 2:26
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As mudanças climáticas de São Paulo já são velhas conhecidas do paulistano. Em cerca de uma semana saímos do alto verão e entramos com tudo no clima invernal, com direito a céu cinzento, vento gelado, folhas caindo. Se por um lado o verão tinha no seu lado gastronômico o frescor das frutas e cores vibrantes; o outono tem um toque de conforto em seus pratos quentes. E mesmo embora não tenha se iniciado, já me sinto envolvido no clima dessa estação.

Essa semana começou um novo módulo no Senac e as temperaturas mais amenas ajudam muito meu dia-a-dia na cozinha. Vida de professor de Gastronomia é bacana, gosto de trabalhar sempre com pessoas diferentes e me sinto feliz quando há feedback e sintonia entre a turma. Claro que algumas pérolas sempre aparecem vez ou outra; como a aluna que não conhecia alface, ou a outra que elogiou a cor das “baby beterrabas” (eram rabanetes).

Essa semana estou preparando um novo “tutorial” surpresa, porem enquanto não fica pronto, passarei uma receita que talvez não pareça ser muito interessante, contudo um dia quando precisar de alguma boa guarnição, dessas fáceis, bonitas, gostosas, e que pareçam ter saído de algum livro ou revista de Gastronomia, aí estará a sua boa e velha amiga batata!

Batata Campanha

Batatas monaliza lavadas e secas
azeite de boa qualidade
dentes de alho
tomilho
alecrim
sal grosso

Lave e seque as batatas, corte-as em quatro partes no sentido longitudinal, esfregue com azeite, sal grosso e as ervas (conforme seu gosto). Leve para assar em forno médio por cerca de 50 minutos em assadeira rasa forrada e coberta com papel alumínio. Descubra as batatas e deixe dourar por cerca de 20 minutos. Sirva com carnes, porco ou aves.

E sobre o papel alumínio, um amigo do meu pai, certa vez me disse que a diferença entre os dois lados se dá única e exclusivamente por conta da forma como ele é processado nas maquinas que laminam as folhas. Duas laminas passam juntas por entre os rolos; onde ambas tem contato uma com a outra o papel sai fosco, e o lado cujo contato é com o rolo as folhas ficam brilhantes.

Espero que gostem!



Bruschetta de legumes
terça-feira janeiro 26th 2010, 20:36

A verdadeira bruschetta data do século XV, e pelo que se sabe já era bastante diferente da nossa boa e velha versão tupiniquin.

Feita de um pão pouco levedado, grelhado com azeite e alho a bruschetta medieval era coberta geralmente de ervas que nasciam nas regiões proximas de onde eram feitas. Mais tarde tem-se registro da invenção da bruschetta ao pomodoro contando com tomates, alho, cebola e manjericão; ainda mais tarde nessa linha cronológica surge o uso do parmesåo para gratinar a bruschetta no forno, não mais na grelha.

Uns anos atrás a bruschetta caiu nas graças do mercado Gastronomico paulista, com o “boom” das cantinas e cantinelas; tendo sido agraciada com toda sorte de coberturas, das corriqueiras até as mais curiósas; como a de carne seca e queijo de coalho, servido num restaurante que prefiro não lembrar o nome.

A receita a seguir, foi um dos primeiros pratos que meus pupilos do Senac fizeram durante o curso de Técnicas Básicas de Gastronomia aka TBG.

Bruschetta
2 pães tipo italiano
3 dentes de alho
50 ml de azeite de oliva

Corte o alho em brunoise (cubos minúsculos), misture ao azeite e pincele a mistura no pão italiano previamente fatiado em cerca de 1 cm. Leve ao forno médio e asse apenas até que fique levemente dourado.

Para os legumes salteados:
2 berinjelas médias em cubos médios
3 abobrinhas italiana em cubos médios
2 cebolas em cubos médios
5 dentes de alho grosseiramente picados
3 tomates italiano maduro concassé (sem pele e sementes, e em cubos pequenos)
1 colher de sopa cheia de alcaparras grosseiramente picadas
40 ml de azeite de oliva

Os legumes devem ser todos cortados como descrito, ou cortados grosseiramente desde que obedeçam um padrão de tamanho aproximado. Numa frigideira grande e preferencialmente anti-aderente, coloque o azeite e sue (suar = fritar sem dourar o alimento, geralmente feito com vegetais) o alho e a cebola, acrescente as berinjelas, as abobrinhas e deixe cozinhar levemente, junte então o tomate e a alcaparra, salteie por mais 2 minutos, sempre em fogo alto, desligue o fogo e acerte os temperos (sal e pimenta). Coloque a mistura de legumes salteados sobre as fatias de pão italiano douradas e sirva.



Santa Rosa
quinta-feira novembro 05th 2009, 16:48
Arquivado em: Cozinha de Vegetais, Iguarias |

DSC00337

A rua Santa Rosa, alí atras do Mercadão, fica meio escondida, o acesso é chatinho, a rua é suja e o cheiro não é legal.  Porem depois da primeira visita, a Santa Rosa torna-se um paraíso, a verdadeira padroeira dos cozinheiros de plantão ou dos de finais de semana.

Sabado passado fui fazer um tour pela regiao com duas alunas e amigas, (paula souza + santa rosa, num sabado véspera de feriado com Sol à pino). Foi divertido, as compras foram boa, a compania melhor ainda!

Na Santa Rosa encontram-se uma infinidade de temperos, vendidos a preço de banana (pra quem ta acostumado a compra-los no supermercado) A dica fica pra Casa Flora ( rua Santa Rosa nº 207), que vende os importados mais baratos como nunca vi na vida. Tem geléia queensberry por R$ 6,50 e alcaparras Raiola por R$ 2,85 o vidrinho! Alem de queijo brie (nacional) por R$ 31,00/kg. Molhos mexicanos hiperbaratos, nozes, oleaginosas e frutas secas por preços insanos, vale comentar tbm, que metade da área util de lá é dedicada aos vinhos e outras bebidas.

Dobrando uma das esquinas da santa rosa, encontramos a rua Profº Euripides Simões de Paula, que assim como a anterior, é fantastica! Nessa rua,  recomendo duas lojas. Uma delas no numero 131, é a Central dos Temperos, que vende…. como o nome sugere… temperos! Alem de outras coisas como plantas para fazer chás (infusões na verdade) e algumas sementes pra ração de pássaros. Lá o kg da pimenta do reino preta estava R$ 6,50 (o minimo vendido, de qualquer gênero é 250 grs) . O outro endereço é a ultima loja da rua, seguindo em direção ao Mercadão. Vende de tudo, a pechinxa fica por conta da carne de soja R$ 3,50/kg. Tomates desidratados por R$ 14,oo/kg.

É com esses tomates desidratados, que fiz minha compota de tomates secos. Comprei 250 grs (alias, a Simone comprou pra mim, e merece os créditos né Si?) Parece pouco, mas 250grs de algo desidratado costuma ter um volume considerável.

Peguei uma parte dos tomates, e deixei de molho 1 dia, num vinho branco avinagrado que tinha aqui em casa, já amolecidos, coloquei num vidro esterelizado e preenchi com 25% deazeite extra-virgem e 75% de óleo de canola, temperei esse oleo composto previamente como chimi-churry R$ 24,00/kg alho inteiro sem casca, sementes de coentro e cominho, pimenta do reino inteira e uma folha de louro.

Vai ficar um tempinho na geladeira apurando os aromas.



nº9 – Tomate
quarta-feira junho 04th 2008, 20:34
Arquivado em: Cozinha de Vegetais |

Hoje pela tarde, uma amiga veio comentar comigo sobre um prato que seu pai fez pro almoço.

“spaghetti, batante tomate picado, bastante azeite do bom, cubinhos de filé mignon cru, puxa o macarrão no azeite com alho e cebola, desliga o fogo, mistura o tomate, põe no prato e joga o mignon”

Embora seja bem básicão gostei do prato, tanto no visual, quanto na construção do sabor, e empolgado com a receita começamos a lembrar de coisas deliciosas e fáceis de se fazer, tendo como ingrediente base o tomate…. pico de galo, tomate farcie, sopa de tomate, e por ai vai.

 O tomate foi lembrado associoado também á memória de “casa de vó”.Logo teriam inicio as lembranças de gastronomia afeitiva, comidinhas que a vó preparava aos domingos, quando receberia a visitas dos filhos, netos e da parentaiada no geral.  Eu compartilhei dessa nostalgia ao lembrar do fatoush, dos cubinhos de tomate dentro do charuto entre outras delicias da terrinha.

O tomate é comumente associado a cultura italiana, mas muito antes disso, as civilizações pré-colombianas jah o consumiam; assim como uma extensa gama de outros alimentos como o milho, feijões, batata, tabaco e frutas como o abacate e o cacau de cuja semente se fazia o chocolate. Inicialmente foi levado à Europa pelas expedições  Colombianas (as mesmas q levaram o porco pra ilha q mais tarde viria a ser Cuba, pra abastecer as provisões de alimentos nos navios, durante as viajens às Indias), os europeus a tinham como planta exclusivamente ornamental, supostamente por causa de sua conexão com as mandrágoras,  usadas em feitiçaria. O tomate ganhou popularidade quando os povos do sul da Europa declinaram sobre esta suspeita. A partir deste momento, o tomate passou a ser um dos principais ingredientes da culinária mediterrânea.

  

 



Pepino em conserva
quarta-feira março 26th 2008, 23:59

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O picles do Mc Donald’s não é o melhor do mundo e todos sabemos disso.

Resolvi (num momento de devaneios gastrônomicos) que queria fazer uma conservinha simples de pepino!

Até então o mais proximo que eu havia chegado, de preparar um pickles, foi uma receita de relish preparada na faculdade, relish eh um tipo de pickles feito com vegetais ( e isso o difere dos chutneys) e outros condimentos de forma, dar origem á um “tempero” usado em uma infinidade de pratos, e mais comumente como guarnição de carnes ou recheios de hamburgueres.

Pois bem. Terminada a minha jornada por livros, internet e muitas perguntas aos chefes que conheço, cheguei a uma “receita” .

Comprei pepinos japoneses, lavei,  cortei em pedaços de aproximadamente 6~7 cm. Pedi pra minha vó um pote de vidro com tampa, tipo maionese helman’s da vida, e dei uma “esterelizada” basicona com agua fervente. arrumei os pepinos bonitinho dentro do pote e joguei a mistura que os conservaria: agua, vinagre, pimenta dedo-de-moça, açucar e sal.

Numa panela, coloquei partes iguais de agua e vinagre branco, (150 ml +- de cada) e 40grs de sal, 100 de açucar e uma pimenta fatiada. Quando levantou fervura eu joguei no pote com os pepinos.

Deixei guardado num lugar “fresco” da casa, dentro de um saco de lixo pra não pegar luminosidade.

Daqui um mês eu escrevo outro post, contando se os pepinos ficaram otimos, ou eu abri o pote e joguei tudo fora…