
Eternizado nas aulas de Gastronomia, entre meus alunos o termo “bem bom” foi repetido algumas dezenas de vezes, vícios de linguagens desse que vos fala à parte… esse grissini além de prático é bem bom mesmo!
No climinha de inverno rigoroso (pros padrões tupiniquins) foi inevitável fugir de sopinhas e outras coisas quentinhas, porém verdade seja dita, para uma refeição principal como almoço ou jantar meu estômago costuma exigir algo alem de apenas um caldinho, sopa purê, consommé e afins! E pra isso, na medida que o tempo [ou ausência de] tento cozinhar algum complemento pra dar “sustância”, daí lembrei dessa vedete dos couvers em restaurantes de todo o Brasil e quiçá do mundo. Nosso velho conhecido Grissini/Breadstick.
Reza a lenda que por volta de 1860 a Casa de Sabóia entregou à França as terras de sua propriedade, Nice e Sabóia, recebendo em contrapartida o titulo de reis. Algum tempo depois, Vittorio Emanuel II subiria ao trono italiano. Segundo a história o rei atormentava-se com seu filho caçula que não comia absolutamente nada e rejeitava sobretudo o pão. Um médico ao ser consultado, imaginou que o problema se devesse à dificuldades do sistema digestivo e recomendou alimentos mais leves.
Acabou sobrando pra todos cozinheiros do trono, adaptarem seus cardápios, e nesse vuco-vuco acabou surgindo o grissini, fino e quebradiço, que devido a cocção prolongada acabava sendo digerido mais facilmente.
Mudando de assunto agora de pato pra ganso, e até devesse escrever isso em outro post, queria falar sobre talvez o tempero numero um da cozinha arabe: o za’atar!
Técnicamente o za’atar compreende uma família de ervas aromáticas parecidas com a que conhecemos por tomilho. Além disso za’atar pode se referir à uma composição feita a partir de uma ou mais dessas ervas com outros tantos temperos.
Assim como o curry indiano, a receita precisa de za’atar simplesmente não existe e cada família guarda sua mistura de ervas escolhidas para sua fabricação. De qualquer maneira dentre os integrantes da maioria das receitas de za’atar estão o tomilho, sumac, manjerição, gergelim e a segurelha. Além disso os árabes atribuem ao tempero caracteísticas quase místicas, que diz-se tornar a pessoa que o consome, mais inteligente e mais forte. É prática comum dar algum lanche temperado com za’atar para jovens antes de irem a escola.
Os meus grissinis de hoje, foram cobertos com za’atar, parmesão, semente de gergelim e um tempero muito bom e muito cool que falarei a respeito em breve.

Grissini
- 200 gr de farinha de trigo
- 50 gr de semolina
- 15g de fermento biológico fresco
- +- 140 ml de água
- 20 ml de azeite extra virgem
- 4g de sal
Proceder com o método direto para pães, acrescentando o sal por último. Deixar a massa descansar por cerca de 30 minutos em uma tigela untada com óleo e coberta com pano de prato úmido. Colocar a massa sobre uma superfície levemente polvilhada com fubá ou semolina e abrir com auxílio de um rolo de massas até a espessura de 0,5 cm. Besuntar azeite sobre a massa e polvilhar com a cobertura desejada, feito isso corte tiras da massa de cerca de 1cm de largura e torça delicadamente a massa. Repouse em assadeira untada com óleo e deixe fermentar por cerca de 1 horas (caso o clima esteja quente, caso contrário podem ser necessário até duas horas ou mais). Asse em forno aquecido à 180 C por aproximadamente 25 minutos ou até que dourem levemente. Esfriar os grissinis em grade, e estocar em potes herméticos para manter a crocância.
Grissinis podem ser consumidos com pastas, patês ou afins, ou apenas acompanhando alguma bebida alcóolica. Os de hoje, servi com pesto [de castanha do Pará]
Espero que todos tenham gostado,
e quem gostou, diz aí!
